O alistamento de brasileiros para lutar no conflito entre Rússia e Ucrânia tem acontecido desde o início da guerra, em fevereiro de 2022. No entanto, não existe um número oficial único divulgado pelo governo brasileiro ou pelas forças armadas ucranianas revelando quantos soldados e voluntários do Brasil foram para o conflito. O que se sabe é que ao menos 22 brasileiros morreram e cerca de 44 permanecem desaparecidos, segundo dados do Ministério das Relações Exteriores, o Itamaraty.
Mesmo diante de alertas formais do mistério desaconselhando a ida a zonas de conflito, cidadãos do Brasil continuam se voluntariando para integrar forças militares no exterior. O episódio mais recente envolve o paraense Adriano Silva, que atuava como voluntário integrado às forças ucranianas e morreu após ser atingido por fogo de artilharia na cidade de Kupiansk, no leste da Ucrânia.
O alerta do Itamaraty e o aumento de brasileiros mortos expõem os riscos do alistamento em guerras militares no exterior
Em toda guerra, há risco - essa é uma verdade quase absoluta. Por isso, quem decide sair do seu país de origem e se alistar em um conflito armado, sabe que estará exposto a armamentos pesados e risco constante. Mesmo assim, brasileiros continuam se alistando para participar do conflito entre Rússia e Ucrânia.
O motivo? Parte deles relata motivações ideológicas, como a defesa da soberania ucraniana, enquanto outros mencionam experiência militar, busca por propósito, engajamento político ou expectativas financeiras, já que algumas forças estrangeiras oferecem remuneração a combatentes voluntários.
Mas a realidade no campo de batalha é bem diferente do que se imagina. O crescimento no número de baixas levou o Itamaraty a reforçar, em julho de 2025, um comunicado oficial desaconselhando a ida de brasileiros a zonas de guerra. O órgão destacou o aumento de mortes em confrontos e alertou para situações em que voluntários enfrentam dificuldades para deixar as forças estrangeiras após o alistamento, especialmente quando há contratos que limitam a assistência consular.
Guerra por controle remoto? Drones e mísseis são a nova lógica militar que dominam o conflito
A morte do paraense Adriano Silva não ocorreu em um confronto direto, nem em uma troca de tiros frente a frente com o adversário. Ele foi atingido por fogo de artilharia, um ataque indireto que é disparado a quilômetros de distância. Esse detalhe ajuda a explicar como a tecnologia tem moldado o modus operandi da guerra na Ucrânia: ela passou a ser controlada por uma lógica militar tecnológica que faz estragos a distância.
A morte do brasileiro, que acontece em meio a uma intensificação dos ataques russos, foi divulgada por familiares ontem (10/02), nas redes sociais. Na semana anterior, cidades ucranianas enfrentaram um dos maiores bombardeios dos últimos meses, com cerca de 500 drones e mísseis atingindo áreas urbanas e infraestrutura estratégica, como usinas de energia e redes de transmissão.
A guerra entre os países vai completar 5 anos, e a estratégia operacional acabou se consolidando em ataques em massa e armas de longo alcance, com drones sendo os protagonistas do conflito. Nos primeiros meses da guerra, os drones Shahed-136, de fabricação iraniana, eram os principais vetores de ataque. Hoje, diferentes modelos, com maior autonomia, precisão e capacidade destrutiva, fazem parte do arsenal russo. A estratégia de bombardeios em larga escala, por outro lado, cumpre uma função geopolítica de demonstrar capacidade de produção, estoque e atualização tecnológica.
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