Novo drone submarino dos EUA se disfarça de arraia gigante e hiberna no fundo do oceano

Imagens de satélite revelam que ele é tão largo quanto um ônibus e pode permanecer escondido por semanas no fundo do mar

Drone submarino
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Victor Bianchin

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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

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A internet está agitada com novas imagens de satélite que capturaram uma “nave espacial” atracada em um porto dos EUA. Trata-se de um protótipo naval militar de um drone marítimo da Marinha dos EUA.

As imagens, captadas entre novembro de 2023 e abril de 2024 na base naval californiana de Port Hueneme, ao norte de Los Angeles, esclareceram uma das incógnitas mais chamativas do programa de drones submarinos da DARPA (Defense Advanced Research Projects Agency): o “Manta Ray”, da Northrop Grumman, é bem maior do que se especulava.

Ele conta com uma envergadura estimada, segundo o Google Earth, de cerca de 13,80 metros e um comprimento aproximado de 11 metros. Para termos uma ideia, sua largura equivale ao comprimento de um ônibus intermunicipal. E seu comprimento é mais ou menos o de um ônibus urbano.

Nem a Northrop Grumman nem a DARPA divulgaram especificações oficiais. No entanto, a própria empresa reconhece que o tamanho implica desafios logísticos concretos. Por exemplo, retirá-lo da água exige um guindaste específico. Não é um detalhe menor. A Marinha dos EUA já cancelou há alguns anos seu programa Snakehead justamente por problemas semelhantes de implantação e recuperação.

Como funciona

A resposta da Northrop Grumman foi projetar o Manta Ray como um sistema modular. Esse drone naval é desmontável em peças para transporte, cabe em cinco contêineres padrão e pode ser montado no local. O protótipo foi construído em Maryland e transportado até a Califórnia nessas condições.

Quanto à propulsão, o Manta Ray funciona como um planador submarino em grande escala. Ele não usa motores de forma contínua. Avança aproveitando mudanças controladas de flutuabilidade — ou seja, bombeando água do mar para ajustar seu peso, como faria um submarino — o que permite que ele se desloque com consumo mínimo de energia durante a maior parte da missão. Tem uma autonomia estimada de quase 10.000 km e dois propulsores localizados nas pontas de suas “asas” que completam o sistema.

Uma de suas capacidades mais relevantes, do ponto de vista operacional, é a possibilidade de afundar no leito marinho e permanecer em modo de hibernação até receber a ordem de ativação. Ou seja, sem saber, o inimigo pode ter vários desses drones próximos, “dormindo” durante meses até que, de repente, sejam ativados.

Essa característica, combinada a um design que permite certa autonomia em manobras básicas (planar, subir, descer, girar e manter posição), transforma o drone em uma plataforma pensada para operações prolongadas sem suporte logístico na área.

As aplicações potenciais dessa peculiar nave incluem reconhecimento, cartografia submarina, busca e implantação de minas, ou até mesmo atuar como nave-mãe para veículos menores. O Pacífico e um possível cenário de conflito com a China aparecem como pano de fundo explícito desse tipo de programa.

Além disso, o conflito na Ucrânia demonstra a relevância dos drones marítimos; eles foram responsáveis pela destruição de um terço da frota russa no mar Negro, enquanto drones submarinos ucranianos chegaram a neutralizar submarinos russos atracados em portos russos.

A DARPA confirmou em 2024 que trabalha com a Marinha dos EUA nos próximos passos de testes e transição tecnológica, embora os prazos concretos ainda não tenham sido definidos. A princípio, o programa de desenvolvimento segue adiante, embora não se tenha ouvido nada concreto desde então.

Imagens | Google Earth, Northrop Grumman

Este texto foi traduzido/adaptado do site Motorpasión.


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