Há anos que a indústria da energia eólica sonha com uma turbina que possa ser montada sem concreto ou maquinário pesado; a França respondeu: "segura minha cerveja"

A Wind to Watt promete uma turbina eólica escalável, modular, reciclável e de fácil montagem

Há anos que a indústria da energia eólica sonha com uma turbina que possa ser montada sem concreto ou maquinário pesado. A França respondeu: "Segura minha cerveja."
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Fabrício Mainenti

Redator

Quando pensamos em energia eólica, a primeira coisa que nos vem à mente são as turbinas com pás enormes que frequentemente vemos ao longe enquanto dirigimos por algumas rodovias do país, ou os infográficos de empresas chinesas apresentando torres XXL para parques eólicos offshore.

Na França, um designer decidiu repensar essas ideias e se perguntou: e se pudéssemos ter uma turbina eólica leve e modular que não exigisse instalações complexas (e extremamente caras) e que também fosse reciclável e escalável, tornando-a adequada tanto para autoconsumo quanto para a indústria?

O resultado é a Wind to Watt.

Energia eólica sem megaprojetos

Nós gostamos de megaestruturas. Isso não é segredo. Portanto, não é surpreendente que, quando falamos de energia eólica (tanto em terra quanto no mar), os projetos que mais repercutem sejam aqueles que envolvem turbinas enormes, torres gigantescas e pás XL, como o modelo de 153 metros e quase 90 toneladas projetado pela empresa chinesa Dongfang Electric (DEC).

No entanto, alguns no setor estão trabalhando com uma abordagem diferente: novas turbinas eólicas modulares que permitiriam a popularização da energia eólica em nível doméstico, assim como a energia fotovoltaica vem fazendo há muitos anos.

Imagens | Wind to Watt

Quadrando o círculo (eólico)

Há alguns anos, o designer francês Fabien Brun decidiu seguir nessa mesma direção, a da energia eólica escalável, enquanto também se questionava: seria possível projetar uma turbina leve, modular, facilmente transportável, econômica e reciclável, que também não exigisse instalações complexas, como plataformas de concreto capazes de suportar grandes torres? Essas não são questões triviais. Muito pelo contrário.

Elas abordam alguns dos principais desafios enfrentados pela energia eólica, como a redução do custo das instalações ou o que fazer com as toneladas de pás que chegam ao fim de sua vida útil e são feitas de fibra de vidro, fibra de carbono, resinas e outros compostos que dificultam sua reciclagem. Algumas estimativas apontam que, até 2030, somente na Europa, mais de 50 mil turbinas eólicas terão chegado ao fim de sua vida útil, geralmente estimada em 20 anos.

O resultado: Wind to Watt

A resposta para essas questões é a Wind to Watt, apresentada como "a primeira turbina eólica de 1 kW que não requer obras de engenharia civil, projetada para produção em massa e escalabilidade global".

Ao contrário das turbinas eólicas convencionais, a Brun propõe uma estrutura leve feita de tubos de alumínio e revestimento plástico, que apresenta duas grandes vantagens. Primeiro, simplifica e agiliza a montagem. Segundo, elimina a necessidade de fundações de concreto ou movimentação de terra antes da instalação.

Imagens | Wind to Watt

"Silenciosa e com impacto mínimo"

Os representantes da Wind to Watt também afirmam que o uso de tubos e revestimento reduz custos, facilita o transporte e é fabricado com materiais recicláveis. Argumentam ainda que o gerador pode ser adaptado a qualquer tipo de ambiente, tanto em terra quanto no mar, e que não gera poluição sonora. "Opera silenciosamente e tem impacto visual mínimo", afirma a empresa.

E quanto à potência?

A equipe garante que sua turbina é escalável e oferece seis modelos diferentes. O modelo mais básico e menor mede 1x2 m, gera 0,3 kW e é destinado principalmente ao uso residencial e autoconsumo.

O maior mede 10x20 m, tem uma potência de 62,4 kW (mais de 1.500 kWh/dia) e, segundo seus representantes, pode abastecer redes elétricas. Naturalmente, o catálogo inclui modelos menores, de 10,4 kW ou 20,8 kW, teoricamente projetados para indústria leve ou data centers.

Em relação aos preços, a empresa afirma que o custo por kW instalado é de cerca de € 2.500 (aproximadamente R$ 14.863) e os custos de manutenção são de aproximadamente € 50 (cerca de R$ 297) por ano. De acordo com os cálculos de seus gestores, isso permite economizar € 50 por ano e o investimento é recuperado após cinco anos, um quinto de sua vida útil (25 anos).

Em que fase se encontra?

Ainda há um longo caminho a percorrer antes de se tornar uma solução amplamente utilizada, mas os responsáveis ​​defendem o caminho já trilhado. "A empresa, que foi validada técnica e comercialmente em nível internacional, está entrando na fase de industrialização e estruturação comercial", afirma Brun, que insiste que a turbina foi projetada "para produção em massa e implantação global sem a necessidade de infraestrutura complexa".

O objetivo é iniciar a implantação piloto ainda este ano.

Imagens | Wind to Watt

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