Em um comunicado na manhã desta quarta-feira (1/7), a Sony anunciou que, a partir de janeiro de 2028, nenhum lançamento para a plataforma PlayStation terá mídia física. Todos os jogos lançados a partir desse ponto para o PlayStation chegarão exclusivamente em formato digital.
Curiosamente, ao mesmo tempo em que soltava essa bomba, a empresa japonesa lançava outra: o fechamento da PlayStation Store do PlayStation 3 e do PlayStation Vita. Definitivamente, não é a melhor notícia para começar julho se você é fã de videogames.
O fim dos jogos físicos nos consoles PlayStation
“Conforme as preferências dos consumidores e a indústria do entretenimento em geral se afastam das mídias físicas em direção ao formato digital, a produção de discos físicos para todos os novos jogos lançados nos consoles PlayStation será descontinuada a partir de janeiro de 2028. Após essa data, os novos jogos estarão disponíveis na PlayStation Store e em revendedores parceiros apenas em formato digital.”
É assim que começa o comunicado de uma empresa que segue afirmando que se trata de uma “direção natural” para se adaptar às tendências dos consumidores. A Sony argumenta que “a preferência geral por mídias digitais supera significativamente a dos discos físicos” e comenta que está fazendo um favor aos jogadores, porque essa decisão “permitirá nos alinhar mais de perto à forma como a maior parte da nossa comunidade prefere acessar e jogar hoje”.
Essa notícia chega apenas alguns dias depois de ficarmos sabendo que um blockbuster como GTA VI não terá uma edição em formato físico (ao menos no lançamento) e segue a tendência de Sony, Microsoft e Nintendo, que, nos últimos anos, apostaram pesado na transição para o digital. Estão aí consoles sem leitor, um PS5 Pro cujo leitor é vendido separadamente e uma Nintendo que lança caixas com Game Key Cards.
É inegável que a conveniência do formato digital estava vencendo a disputa. Estimativas recentes provaram isso em mercados principais, como o estadunidense, mas o formato físico tem algo que o digital não pode oferecer: pertencimento.
Porque os jogos digitais (exceto aqueles de lojas como a GOG) não pertencem a quem paga por eles. São licenças de uso, o que implica que hoje podemos pagar R$ 350 por um, mas, se amanhã alguém decidir que essa licença já não está vigente, ele pode ficar indisponível. E isso pode acontecer mesmo que você tenha o jogo instalado no console (que o digam os usuários de The Crew).
Com esse movimento, a Sony coloca em xeque (e talvez elimine) a possibilidade de posse. Mas um efeito colateral é a devastação por completo do mercado de segunda mão, que é tão importante para acessar esse produto cultural chamado videogame. A Sony venceu a geração do PS4, entre outras coisas, com esse argumento: o empréstimo de videogames e a livre circulação dos discos. Teve até comercial de TV em 2013 sobre isso.
O anúncio de que a Sony deixará de “fabricar” discos é exatamente isso: um golpe brutal nos videogames em formato físico. No comunicado, a empresa não diz “vamos deixar de fabricar discos dos nossos jogos”, mas sim que a “produção de discos físicos será encerrada em janeiro de 2028 para os novos jogos lançados nos consoles PlayStation”, de forma geral.
Com isso, a empresa confirma uma migração para um modelo 100% digital. “Continuaremos priorizando nossos recursos para trazer inovações na maneira como os jogadores acessam os jogos e para oferecer opções sobre onde adquiri-los, seja em revendedores parceiros ou na PlayStation Store. Seguimos comprometidos em proporcionar uma experiência de jogo de classe mundial aos nossos fãs e agradecemos pelo apoio contínuo.”
Adeus à Store do PS3 e do PS Vita
Como a Nintendo já fez em seu tempo com o Wii, ou a Xbox com o Xbox 360, a Sony já está preparando o terreno para o fechamento da PlayStation Store tanto do PS3 quanto do PS Vita.
São consoles veteranos — retrô a essa altura no caso do PS3, com seus 20 anos de vida —, mas o fato de a Store continuar funcionando permitia que novos jogadores que o descobrem atualmente tivessem acesso ao catálogo.
Se você ainda quiser conferir e baixar os jogos disponíveis, é melhor se apressar porque, a partir deste ano, haverá mercados nos quais as portas começarão a se fechar. No comunicado, a Sony aponta que, como precisa começar a dar mais suporte ao formato digital (já que está acabando com os discos), “o PS3 e o PS Vita deixam de ter capacidade para oferecer suporte a essas atualizações no nível exigido. Como resultado, precisaremos encerrar a PlayStation Store nesses dispositivos”.
Os prazos são os seguintes:
- México, Honduras e Nicarágua — a PlayStation Store no PS3 será encerrada a partir de agosto de 2026.
- Outros países da América Latina e do Oriente Médio — a PlayStation Store no PS3 será encerrada a partir do fim de 2026.
- Demais países — a PlayStation Store no PS3 e no PS Vita será encerrada em julho de 2027.
“Ao continuarmos a expansão da experiência PlayStation nos dispositivos mais recentes, que a maioria de nossos jogadores utilizam atualmente, precisamos concentrar mais recursos em oferecer as melhores experiências de jogo nessas plataformas, voltando nosso olhar para o futuro”, justifica a Sony no comunicado, que é encerrado com agradecimentos pela confiança dos consumidores ao longo de todos esses anos.
Há esperança?
Certamente, este era um dia que sabíamos que chegaria, mas, para os amantes dos videogames e do formato físico, nada poderia nos preparar para isso. Porque isso não é como os discos de vinil, que voltam porque “qualquer um” pode “fabricá-los”. O Blu-ray é um formato proprietário que pertence a poucas empresas, com a Sony entre as principais representantes, então não é tão simples para outras companhias começarem a criar edições físicas do nada. Até porque o PlayStation 6, que deve chegar em 2027 ou 2028, provavelmente não terá um leitor de discos.
A continuidade das mídias físicas poderia acontecer se Sony e outras fabricantes chegassem a um acordo, claro, mas é evidente que, se uma das poucas empresas que controlam a “impressora” diz que não há mais tinta, a torneira se fecha. Resta apenas ver como os acontecimentos vão se desenrolar.
Ainda assim, talvez nem tudo esteja perdido e, mesmo que seja preciso pagar royalties à Sony, outras empresas possam produzir tiragens de videogames em formato físico. A Sony já se retirou da produção de Blu-rays virgens, mas esses produtos não desapareceram porque existem outras empresas que fazem prensagem para terceiros com material de duplicação óptica.
Essas empresas são MPO, DiscRepublic, Duplicalia e CDCLICK, companhias que poderiam continuar produzindo discos sob demanda. O problema é que, no caso do PlayStation, se a empresa realmente levar adiante essa política de não lançar jogos em formato físico para seus consoles a partir de 2028, talvez nem sequer venda um leitor externo para o PS6, tornando o esforço infrutífero.
Por enquanto, a comunidade gamer tem se manifestado com veemência nas redes sociais e no YouTube contra a decisão. Alguns estão organizando abaixo-assinados na tentativa de revertê-la. Será difícil: o futuro pensado pela Sony é este em que ela controla o hardware, o software e a loja, sem concorrência, podendo aplicar o preço que quiser. Mesmo que isso custe sua credibilidade.
Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.
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