Será que dois signos do zodíaco realmente influenciam as chances de um relacionamento dar certo? Essa é uma das ideias mais populares da astrologia, mas um estudo baseado em um enorme banco de dados populacional chegou a uma conclusão bastante diferente.
Ao analisar informações de cerca de 20 milhões de pessoas, o equivalente a aproximadamente 10 milhões de casais, um pesquisador não encontrou evidências de que determinadas combinações de signos sejam mais frequentes do que o esperado pelo simples acaso.
A pesquisa foi conduzida pelo sociólogo David Voas, utilizando dados do censo da Inglaterra e do País de Gales. A proposta era relativamente simples: verificar se existiam combinações entre signos do zodíaco que apareciam com maior frequência entre casais do que seria esperado estatisticamente.
Se a astrologia realmente influenciasse a formação dos relacionamentos, seria esperado encontrar alguns pares de signos aparecendo com muito mais frequência, ou muito menos, do que outros.
Em um primeiro momento, os dados pareciam sugerir que isso realmente acontecia.
O aparente efeito era apenas um erro nos dados
Quando a análise foi aprofundada, porém, os pesquisadores descobriram que o resultado não tinha relação com astrologia.
O padrão observado era consequência de um problema na própria base de dados. Em diversos registros do censo, quando o dia exato de nascimento estava ausente, era comum que fosse utilizado o 1º dia do mês como valor padrão.
Esse detalhe criou uma concentração artificial de pessoas em determinados períodos do calendário, afetando também a distribuição dos signos do zodíaco.
Depois que essas distorções estatísticas foram corrigidas e os pesquisadores separaram coincidências relacionadas apenas ao mês de nascimento das combinações entre signos, o efeito desapareceu completamente.
Após eliminar os vieses presentes nos registros, os cientistas não encontraram qualquer evidência de que certos signos formem casais com mais frequência do que outros.
Na prática, as combinações observadas correspondiam exatamente ao que seria esperado pelo acaso, sem indicar qualquer influência dos signos na formação dos relacionamentos. Segundo a análise, não houve sinais de uma força estatística que favorecesse pares específicos do zodíaco.
A conclusão segue o que outras pesquisas já mostraram
O estudo se soma a uma longa lista de pesquisas que tentaram verificar cientificamente previsões e alegações da astrologia. Segundo especialistas citados na análise, um dos desafios é que nem mesmo astrólogos concordam entre si sobre quais combinações de signos seriam mais compatíveis, o que dificulta estabelecer previsões consistentes que possam ser testadas cientificamente.
Diante disso, a abordagem adotada por Voas foi procurar qualquer desvio estatístico em uma amostra gigantesca. O resultado foi claro: depois de removidos os erros dos dados, nenhuma combinação de signos apareceu acima ou abaixo do esperado pelo acaso.
Ainda assim, astrologia pode afetar casais... de um jeito diferente
Embora muitas pessoas utilizem a astrologia como forma de entretenimento ou ferramenta de autoconhecimento, esse estudo não encontrou evidências de que o signo do zodíaco influencie a compatibilidade amorosa entre casais.
No entanto, alguns outros estudos sugerem que a astrologia pode sim afetar o relacionamento, mas não como você imagina. Esta pesquisa de Susan Blackmore and Marianne Seebold, por exemplo, afirma que o que mulheres leem sobre astrologia pode impactar na maneira como se relacionam e gerar até mesmo mais desconfiança.
Em resumo, pessoas leem sobre astrologia, acreditam e isso faz com que cobrem seus parceiros, ou que prestem mais atenção a certos comportamentos e, até mesmo fiquem mais desconfiadas de acordo com o que leem em horóscopos. Por exemplo: "Traições podem acontecer", pode fazer com que pessoas que acreditam no assunto fiquem paranoicas e hipervigilantes com seus companheiros.
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