Não precisa correr: uma caminhada “de avô” cinco dias por semana é suficiente para queimar 78 mil calorias por ano

No exercício, a constância é melhor do que a intensidade

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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

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No podcast ADH Fitness Talks, o influenciador fitness Héctor Leiro deu uma mensagem bastante clara: “não estou falando de correr nem de caminhar rápido, mas de fazer uma caminhada de avô cinco dias por semana […] isso se traduz em 78 mil calorias por ano, ou, o que dá no mesmo, dez quilos de gordura”. No caso, caminhada de avô significa andar de forma lenta, moderada e sem pressa. “O importante é criar o hábito. Não um esforço sobre-humano, e sim hábito”.

Na mesma linha, a instrutora de fitness Susane Pata insistia, em entrevista ao Infobae, afirma que “caminhar 30 minutos sete dias por semana queima de 700 a 1.400 kcal por semana”.

Esses cálculos estão um pouco inflados se levarmos em conta que o gasto energético não depende apenas da intensidade e do tempo, mas também do peso corporal. Quanto maior o peso, maior o gasto.

Traduzindo isso para números mais fáceis de entender, uma pessoa de 70 quilos gasta entre 140 e 200 calorias por hora em uma “caminhada de avô”. Isso está longe das 300 a 350 calorias consideradas por Leiro para chegar às 78 mil. Para alcançar esse valor, seria necessário caminhar em um ritmo mais intenso ou pesar mais (cerca de 120 kg).

São estimativas, é claro, mas elas nos permitem ter uma ideia do que exatamente estamos discutindo.

Mas suponhamos que as 78 mil calorias estejam corretas. O que isso significa? Na verdade, não muito. Colocando em perspectiva, estamos falando de algo equivalente a três frutas por dia. Ao “anualizar” o cálculo, o gasto parece maior do que realmente é. Isso não é um problema em si, claro: como acontece com a famosa meta dos 10 mil passos diários, tratam-se de números “redondos” que ajudam a orientar objetivos (desde que saibamos que não são “exatamente” verdadeiros).

Tudo bem, mas 78 mil calorias são 78 mil calorias. “Algum peso vamos perder, não?”. E a resposta é curiosa. O problema é que o corpo não é um cofrinho. Os Hadza, um povo indígena de cerca de 1.300 pessoas que vive no norte da Tanzânia, não queimam mais calorias do que um funcionário de escritório ocidental, apesar de caminharem 12 km por dia. É um bom exemplo porque eles formam uma das últimas sociedades de caçadores-coletores que ainda existem no mundo e nos ajudam a ter uma ideia melhor do que estamos discutindo.

78 mil calorias por ano de forma contínua não se traduzem em 10 quilos de gordura. É verdade que, em determinados contextos, isso pode acontecer, claro. Mas afirmar isso de forma leviana pode gerar expectativas exageradas.

Então, para que caminhar diariamente? Porque a perda de peso não é a única coisa (nem a mais importante) que se ganha com o hábito de caminhar. Caminhar todos os dias melhora a saúde cardiovascular, o controle glicêmico, a densidade óssea e o estado de espírito, além de reduzir a mortalidade. Como eu dizia no início, a constância importa mais do que a intensidade.

Imagem | Juliane Liebermann (Unsplash)

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


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