Muitos adultos subestimam a capacidade intelectual das crianças, um erro que pode fazer com que talentos excepcionais passem despercebidos. No Brasil, um menino de apenas 10 anos de idade já criou seu próprio jogo de computador, aprendeu programação e conquistou troféus em competições de xadrez e robótica. Adriano Álvaro Melo, conhecido carinhosamente como Alvinho, começou a mostrar que era uma criança diferente ainda pequeno. Aos 7 anos, desenvolveu o “Super Alvinho” depois de participar de um curso on-line de programação da Universidade Harvard, nos Estados Unidos. Hoje, porém, o menino enfrenta uma realidade muito diferente daquela que seu potencial intelectual poderia sugerir. Alvinho vive em um abrigo no Rio de Janeiro com a mãe e teve a rotina escolar interrompida pelas dificuldades enfrentadas pela família.
Aos 7 anos, Alvinho já criava seu próprio jogo e se destacava em xadrez e robótica
A inteligência de Alvinho começou a ser percebida ainda na primeira infância. Segundo a mãe, Priscila Melo, a suspeita de que o filho tinha uma facilidade incomum para aprender apareceu quando ele tinha apenas 3 anos. Aos 4, durante a pandemia de Covid-19, ele aprendeu a ler e escrever com o GraphoGame, aplicativo do Ministério da Educação voltado à alfabetização, e depois passou por um teste que confirmou suas altas habilidades.
A programação entrou nesse caminho como mais uma ferramenta para explorar a curiosidade do menino. Depois de participar de um curso on-line da Universidade Harvard, Alvinho criou, aos 7 anos, o jogo “Super Alvinho” inteiramente em inglês. A história acompanha um cientista que usa seus superpoderes para construir robôs agrícolas e buscar maneiras de melhorar a produção e a distribuição de alimentos no planeta.
Fora da tela, ele também encontrou espaço para desenvolver outras habilidades. Alvinho participou de competições de xadrez e robótica, conquistou troféus e recebeu a Medalha Pedro Ernesto em dezembro de 2024, uma das principais honrarias da Câmara Municipal do Rio de Janeiro. Na ocasião, tornou-se a pessoa mais jovem a receber a homenagem.
O talento continua, mas a falta de moradia interrompeu a rotina de estudos
Hoje, Alvinho e a mãe vivem em um abrigo temporário no Rio de Janeiro
Enquanto as habilidades de Alvinho ganhavam reconhecimento, a situação financeira da família se tornava cada vez mais difícil. Priscila perdeu o apartamento onde morava em Itaboraí após ser vítima de um golpe imobiliário, e passou a viver com o filho de favor no Complexo da Maré. Em outubro de 2025, a situação ficou ainda mais complicada quando a mãe foi diagnosticada com tuberculose resistente aos medicamentos. No início de 2026, os dois se mudaram para Cabo Frio em busca de uma oportunidade de trabalho, mas a tentativa não deu certo. Sem condições de manter as despesas básicas, mãe e filho passaram por casas de acolhimento até retornarem ao Rio para que Priscila pudesse continuar o tratamento na Fiocruz.
Em uma dessas instituições, Alvinho chegou a conseguir uma bolsa integral em uma escola particular. A experiência, no entanto, durou apenas dois meses, porque a mãe precisou voltar ao Rio para cuidar da saúde. Atualmente, os dois estão acolhidos na Unidade de Reinserção Social Maria Tereza Vieira, no Grajaú, Rio de Janeiro. Sem uma rotina escolar regular, Alvinho continua buscando maneiras de aprender por conta própria.
Apesar das dificuldades, o garoto continua olhando para o futuro. Em entrevista ao jornal O GLOBO, Alvinho afirmou que seu maior desejo é estudar na Europa e se tornar um grande construtor de robôs. Mas por enquanto, o desafio é outro: recuperar uma rotina de estudos e encontrar condições de moradia que permitam ao menino continuar desenvolvendo uma habilidade.
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