O dia fatídico em que perdemos séculos de progresso científico e tecnológico porque monges destruíram um livro de Arquimedes

Tecnologias como programação ou inteligência artificial são baseadas nos mesmos cálculos

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Bárbara Castro

Redatora

Mais de 1800 anos antes de Isaac Newton e Gottfried Leibniz desenvolverem o cálculo que nos permitiu criar megastruturas na forma de pontes e arranha-céus, as teorias combinatórias que levaram à programação, ciência de dados ou inteligência artificial, e que, claro, também nos colocaram no caminho da conquista do espaço, a humanidade já possuía esse conhecimento. Infelizmente, alguns monges os destruíram sem querer.

O livro, hoje conhecido como Palimpsesto de Arquimedes, incluiu a primeira abordagem do que conhecemos como matemática combinatória. A base sobre a qual a engenharia moderna se baseia na forma da física teórica, capaz de calcular áreas e volumes e, de modo geral, a matemática necessária para que possamos deduzir quanto tempo um trem leva para ir do ponto A ao ponto B. Tudo isso já existia desde o século II a.C., mas o perdemos por uma infeliz falha.

Séculos de progresso apagados para escrever cânticos

Em 1906, quando o filólogo dinamarquês Johan Ludvig Heiberg estudava manuscritos medievais, ele se deparou com um livro de orações e cânticos religiosos que chamou sua atenção. Segundo o que foi escrito por monges em algum momento do século XIII, o filólogo conseguiu identificar parte de um texto apagado de Arquimedes que correspondia a uma de suas obras perdidas, o Método dos Teoremas Mecânicos.

Demorou mais de 90 anos para a ciência colocar as mãos nele novamente, depois que o manuscrito desapareceu por décadas, após um leilão em que um comprador anônimo o adquiriu por 2 milhões de dólares. Usando técnicas modernas que utilizam luz ultravioleta, infravermelha e de raios X, os cientistas descobriram o texto matemático escondido no pergaminho. Um avanço revolucionário capaz de mudar a história da humanidade, que, infelizmente, chegou tarde demais.

Em defesa desses monges, deve-se notar que, quando destruíram o pergaminho em Constantinopla alguns séculos antes, é provável que eles realmente não soubessem o que estava diante deles. Naquela época, o pergaminho era tão caro quanto escasso, então textos antigos eram frequentemente raspados para serem reutilizados na criação de livros religiosos.

A prática de reutilizar rolos era conhecida como palimpsesto, que acabou derivando do nome Palimpsesto de Arquimedes, sob o qual hoje conhecemos essa gloriosa obra arqueológica. Infelizmente, nunca saberemos o que teria acontecido se esses cálculos não tivessem sido apagados, nem quais outros avanços ou revelações estão escondidos entre todos aqueles livros reciclados que hoje servem como compilações de salmos e orações.

Matéria traduzida de 3DJuegos*


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