As brasileiras Levita de Deus Nunes, de 109 anos, Zoraide de Deus Mota, de 104, e Zulina de Deus Nunes, de 103, foram reconhecidas pelo Guinness World Records como o trio de irmãos vivos mais longevo do planeta, somando 316 anos de vida.
Naturais de Cedro de São João, no interior de Sergipe, elas construíram a vida no Rio de Janeiro e hoje são cercadas por filhos, netos, bisnetos e tataranetos. Questionadas sobre o segredo para viver tanto, as respostas passam por uma infância ativa, alimentação simples e tranquilidade.
"Nadava muito, pegava muita onda, ia pegar peixe, depois cozinhava, pegava caranguejo... É por isso que a gente está aqui", contou Zulina em entrevista à BBC Brasil.
Guinness reconheceu oficialmente o recorde em 2026
O título foi oficializado pelo Guinness World Records em 23 de junho de 2026, após um longo processo de verificação documental conduzido pela LongeviQuest, organização internacional especializada na validação de casos de longevidade extrema e parceira oficial do Guinness para esse tipo de recorde.
Irmãs foram reconhecidas pelo Guinness como o treio mais longevo do mundo. Foto: Divulgação/Longeviquest
Infância simples e alimentação natural marcaram a vida das irmãs
As três cresceram em uma família de oito irmãos, em uma época em que praticamente toda a alimentação era produzida dentro de casa.
O leite vinha das vacas e cabras criadas pelo pai. Frutas, verduras e legumes eram cultivados no quintal, enquanto o milho era ralado manualmente para preparar o cuscuz.
Anos depois, a família se mudou para o Rio de Janeiro, onde Levita, Zoraide e Zulina construíram suas próprias famílias.
Mesmo após mais de um século de vida, elas mantêm um forte vínculo entre si.
"A gente está unida. De vez em quando discute uma com a outra, mas tudo bem", brincou Zulina.
O que explica tanta longevidade?
Além do reconhecimento internacional, as três irmãs participam atualmente do DNA Longevo, desenvolvido pela Universidade de São Paulo (USP).
O objetivo da pesquisa é entender por que algumas pessoas conseguem ultrapassar os 100 anos mantendo boa saúde e autonomia.
Segundo os pesquisadores, famílias como a delas são especialmente importantes porque podem ajudar a identificar genes associados à longevidade.
"A partir do exame de DNA, a gente procura os genes protetores. E a gente sabe que são vários, não é um só. Quanto mais pessoas centenárias e famílias com vários centenários estudarmos, maior será a precisão da pesquisa para identificar o gene da longevidade", explicou Mayana Zatz, coordenadora do projeto, à BBC.
Os cientistas pretendem analisar cerca de 500 brasileiros centenários, investigando como fatores genéticos, alimentação, atividade física e ambiente contribuem para um envelhecimento saudável.
Juntas, as irmãs somam 316 anos de idade. Foto: Divulgação/Longeviquest
Ciência mostra que longevidade depende de vários fatores
Embora a genética exerça influência importante, especialistas afirmam que ela explica apenas parte da longevidade.
Estudos e pesquisas conduzidas em regiões conhecidas como Blue Zones — locais onde há concentração excepcional de pessoas centenárias — mostram que viver muitos anos costuma resultar da combinação entre diferentes fatores.
Entre eles estão:
- Alimentação rica em alimentos minimamente processados;
- Prática regular de atividade física ao longo da vida;
- Manutenção de vínculos familiares e sociais;
- Controle do estresse;
- Acesso à saúde;
- Predisposição genética.
Imagens: Divulgação/Longeviquest
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