Química extraterrestre é descoberta em meteorito que atingiu a Terra

Uma pista a mais sobre origem de vida na Terra

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Vika Rosa

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Vika Rosa

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Jornalista com mais de 5 anos de experiência, cobrindo os mais diversos temas. Apaixonada por ciência, tecnologia e games.

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Um meteorito que atravessou o telhado de uma casa em Nova Jersey, nos Estados Unidos, está ajudando cientistas a investigar uma das maiores perguntas da humanidade: como surgiram os ingredientes necessários para a vida na Terra.

O objeto espacial, batizado de Hillsborough, revelou uma química jamais observada nesse tipo de meteorito. Segundo pesquisadores, ele preservou compostos orgânicos, aminoácidos e evidências de fluidos extremamente salgados que podem ter desempenhado um papel importante na formação das moléculas que deram origem à vida no planeta. O estudo foi publicado na revista científica Science Advances.

Um impacto raro registrado

O meteorito caiu em 16 de julho de 2024, após cruzar o céu da região de Nova York a cerca de 51 mil quilômetros por hora. A passagem foi acompanhada por um forte estrondo sônico e pôde ser observada por dezenas de testemunhas em estados como Nova York, Nova Jersey, Connecticut, Pensilvânia e Rhode Island.

Durante a entrada na atmosfera, a rocha começou a se fragmentar. Um dos maiores pedaços, com pouco mais de 900 gramas, atravessou o telhado de uma residência na cidade de Hillsborough e caiu dentro de um quarto.

O proprietário contou ter ouvido uma forte explosão antes de encontrar um buraco no teto, além de fragmentos escuros espalhados sobre a cama, o carpete e os móveis. Ele também relatou um odor semelhante ao de enxofre.

Sem imaginar a importância científica do objeto, o morador teve uma reação que seria decisiva para os pesquisadores: usando luvas descartáveis e papel-alumínio, recolheu cuidadosamente os fragmentos e os armazenou em potes de vidro, evitando contaminação.

Um dos meteoritos mais raros já encontrados

Após as análises, os cientistas classificaram o Hillsborough como um condrito carbonáceo CM1/2, um dos tipos mais raros de meteoritos primitivos conhecidos.

Até hoje, apenas dois meteoritos desse tipo foram observados caindo na Terra, tornando o exemplar extremamente valioso para a ciência.

Além da raridade, seu excelente estado de conservação permitiu estudar minerais frágeis e compostos orgânicos que normalmente se degradam rapidamente após a queda.

A maior surpresa veio quando os pesquisadores descobriram que alguns fragmentos continham sinais de que o asteroide original havia sido exposto a fluidos extremamente ricos em sais próximos à sua superfície.

Esse processo nunca havia sido identificado anteriormente nesse tipo de corpo celeste. Segundo os pesquisadores, essas salmouras concentradas poderiam favorecer reações químicas importantes, mantendo elementos como o fósforo dissolvidos e facilitando a formação de moléculas orgânicas complexas.

Aminoácidos e moléculas pré-bióticas

As análises também revelaram uma grande variedade de compostos à base de carbono, além de aminoácidos e outras moléculas consideradas pré-bióticas, substâncias que podem servir como matéria-prima para o surgimento da vida, embora não sejam organismos vivos.

Os pesquisadores encontraram ainda compostos organometálicos, moléculas que unem carbono a metais. Na Terra, estruturas semelhantes desempenham papéis fundamentais em processos biológicos, como a fotossíntese e o transporte de oxigênio no sangue.

A distribuição desses aminoácidos indica que muitos deles provavelmente se formaram dentro do próprio asteroide, possivelmente graças às reações químicas promovidas pelas salmouras.

Uma pista sobre a origem da vida

Os cientistas acreditam que meteoritos semelhantes ao Hillsborough podem ter bombardeado a Terra primitiva há bilhões de anos, trazendo consigo compostos orgânicos essenciais para o desenvolvimento da química que antecedeu o surgimento dos primeiros seres vivos.

Os isótopos de carbono e nitrogênio encontrados no meteorito indicam que esse tipo de rocha espacial pode ter contribuído para enriquecer o planeta com moléculas fundamentais para a evolução da vida.

É claro que isso não significa que a vida tenha vindo do espaço, mas é possível que muitos dos ingredientes necessários para seu aparecimento podem ter sido entregues por asteroides durante os primeiros bilhões de anos da história da Terra.

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