Onda de calor chegou na Antártica: fez 15°C no polo Sul em pleno inverno e a explicação para esse calor absurdo preocupa a ciência

Correntes atmosféricas e redução do gelo marinho criaram condições para um dos eventos mais adversos já vistos no continente gelado

Antartica
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Natália P. Martins

Redatora

Quando se pensa na Antártica, a imagem que costuma vir à mente é a de um continente coberto por gelo permanente e temperaturas extremamente baixas. Por isso, a notícia de que uma estação meteorológica registrou 15,4°C em pleno inverno austral parece quase impossível.

O episódio ocorreu nos primeiros dias de junho de 2026, na Península Antártica, e chamou a atenção da comunidade científica por representar uma das maiores anormalidades de temperatura já observadas na região durante essa época do ano.

Um recorde de temperatura em pleno inverno

A temperatura foi registrada na Base Esperanza, localizada no extremo norte da Península Antártica. Os termômetros marcaram 15,4°C, estabelecendo um novo recorde para o mês de junho desde o início das medições na estação.

É importante destacar que o fenômeno ficou concentrado principalmente na Península Antártica, região mais vulnerável à entrada de massas de ar vindas de latitudes mais baixas.

Além do recorde absoluto, diversas áreas da península apresentaram temperaturas mais de 10°C acima da média climatológica, um desvio considerado extremamente incomum para o começo do inverno no hemisfério sul.

Como fez 15°C em um dos lugares mais frios do planeta?

Pesquisadores apontam que o aquecimento foi provocado pela combinação de diferentes fatores atmosféricos: um sistema de alta pressão muito intenso sobre o Atlântico Sul e outro de baixa pressão no Pacífico Sul criaram um  corredor que transportou ar relativamente quente em direção ao continente.

Esse fluxo também foi reforçado por um fenômeno conhecido como efeito Foehn, onde massas de ar úmido sobem as montanhas da Península Antártica, perdem umidade na forma de neve ou chuva e, ao descer pelo outro lado, tornam-se mais secas e aquecem rapidamente devido à compressão atmosférica.

Redução do gelo marinho também pode ter contribuído

Outro fator que está sendo investigado é a baixa extensão do gelo marinho no Mar de Bellingshausen. 

Na época do evento, havia um déficit de aproximadamente 650 mil quilômetros quadrados de gelo em relação ao esperado para o inverno.

Com menos gelo cobrindo o oceano, as massas de ar conseguem conservar mais calor antes de alcançar a Península Antártica, o que pode ter intensificado ainda mais o episódio.

Embora essa hipótese ainda esteja sendo estudada, ela é considerada uma das possíveis explicações para a intensidade incomum da onda de calor.

Isso significa que a Antártica está derretendo?

Os pesquisadores ressaltam que um único episódio extremo não pode ser interpretado isoladamente como prova das mudanças climáticas.

No entanto, eventos desse tipo são monitorados com atenção porque ajudam a compreender como a circulação atmosférica está mudando e de que forma um planeta mais quente pode favorecer ondas de calor cada vez mais intensas, inclusive em regiões tradicionalmente geladas.


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