Durante décadas, o pedreiro Jovino Modesto ajudou a construir casas para outras pessoas. Ergueu paredes, concretou lajes, fez pisos e telhados. Mas havia um detalhe curioso em sua própria história: ele memso ainda não tinha uma casa para morar.
Sem dinheiro para comprar todos os materiais de construção, decidiu recorrer à criatividade. Ao longo de oito meses, recolheu mais de 4 mil caixas de leite longa vida descartadas e as transformou em parte das paredes de sua casa, construída em um bairro da zona norte de Sorocaba (SP).
Pedreiro passou oito meses juntando caixas para construir a própria casa
Segundo reportagem exibida pelo programa SP no Ar, da Record, Jovino utilizou mais de 4 mil embalagens longa vida para construir uma casa de aproximadamente 50 metros quadrados, dividida em dois cômodos.
As embalagens foram recolhidas do lixo e reaproveitadas como parte das paredes, reduzindo significativamente o gasto com materiais convencionais.
Mesmo aposentado e com poucos recursos, Jovino conseguiu concluir a obra praticamente sem desperdiçar material.
Na época da reportagem, ele já havia separado outras mil caixas para ampliar a casa.
Imagem: Reprodução/R7
Caixas de leite longa vida ajudaram a levantar paredes
As embalagens longa vida são compostas por diferentes camadas de papel-cartão, plástico (polietileno) e alumínio. Segundo a Tetra Pak, essa combinação protege alimentos contra umidade, luz e oxigênio, além de conferir boa resistência ao material.
Na casa construída por Jovino, as caixas foram utilizadas como preenchimento das paredes.
Imagem: Reprodução/R7
Material usado também ajuda a reduzir o calor
Além da economia, Jovino afirma ter percebido outra vantagem.
"Com o sol de 30 graus, aqui dentro é geladinho", contou durante a reportagem.
Segundo o engenheiro Jair Molina, da Associação de Engenheiros e Arquitetos de Sorocaba, isso acontece porque o alumínio presente nas embalagens ajuda a refletir parte da radiação térmica quando instalado voltado para o lado externo da parede.
"Ela tem uma estrutura como qualquer engenheiro faria. Ele colocou o alumínio do lado de fora. Isso proporciona conforto térmico", explicou.
Embora o isolamento térmico dependa também da espessura da parede, da ventilação e do acabamento, o alumínio realmente possui alta capacidade de refletir calor, reduzindo parte da transferência térmica para o interior do imóvel.
Engenheiro afirma que a casa pode durar até 100 anos
Segundo reportagem exibida pelo programa SP no Ar e repercutida pelo R7 em 2010, um engenheiro que avaliou o imóvel afirmou que, se receber manutenção adequada, a construção pode durar até 100 anos.
Segundo o especialista, a durabilidade está relacionada ao conjunto da construção. Protegidas por argamassa, reboco e cobertura, as embalagens ficam isoladas da chuva, da radiação solar e de impactos diretos, fatores que aceleram sua degradação.
Imagem: Reprodução/R7
Além disso, as embalagens longa vida possuem baixa biodegradabilidade. Quando descartadas no meio ambiente, podem levar muitas décadas para se decompor — característica que, nesse caso, acaba contribuindo para sua utilização como material construtivo.
Mesmo assim, a vida útil depende da manutenção da casa. Problemas como infiltrações, rachaduras ou falhas na impermeabilização podem comprometer o desempenho das paredes ao longo do tempo.
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