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Invenção brasileira da USP acaba de fazer história no espaço e foi a tecnologia escolhida pela NASA para a missão Artemis II

Tecnologia brasileira desenvolvida na USP integrou missão da NASA e acompanhou ritmos biológicos da tripulação

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Natália P. Martins

Redatora
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Natália P. Martins

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Uma tecnologia desenvolvida por pesquisadores brasileiros foi utilizada pela NASA durante a missão Artemis II, que levou astronautas ao redor da Lua e marcou um novo capítulo da exploração espacial. O equipamento, criado na Universidade de São Paulo (USP), foi usado para monitorar os padrões de sono da tripulação ao longo da missão.

O dispositivo aparece em imagens oficiais da agência espacial no pulso dos astronautas e permitiu o acompanhamento contínuo de dados como movimento corporal, níveis de atividade e exposição à luz — informações consideradas essenciais para entender como o organismo humano reage no ambiente espacial.

Desenvolvido por pesquisadores da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP (EACH), o equipamento representa um reconhecimento internacional da pesquisa brasileira e foi utilizado durante toda a missão para acompanhar os ritmos biológicos dos astronautas.

Monitoramento do sono é essencial em missões espaciais

O controle dos ritmos circadianos — o ciclo biológico que regula sono e vigília — é considerado fundamental para o desempenho e a segurança dos astronautas. No espaço, a ausência do ciclo natural de dia e noite pode desregular o organismo e comprometer funções cognitivas.

O equipamento, conhecido como actígrafo, foi desenvolvido pela USP e permite acompanhar essas alterações ao medir a movimentação corporal e a exposição à luz ao longo do tempo. O equipamento também analisa a intensidade luminosa e o tipo de luz, incluindo a chamada luz azul, que influencia diretamente a qualidade do sono.

Actigrafo Tecnologia desenvolvida pela USP foi utilizada pela NASA em missão espacial. Foto: NASA

De acordo com Mario Pedrazzoli — professor da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH-USP), especialista em cronobiologia e coordenador do projeto —, o funcionamento do dispositivo permite identificar os períodos de descanso a partir da ausência de movimento. 

Utilizado no pulso, como um relógio, o dispositivo funciona continuamente durante toda a missão, permitindo a coleta de dados detalhados sobre o comportamento fisiológico dos astronautas.

Privação de sono representa risco operacional no espaço

A regulação do sono é um dos maiores desafios em missões espaciais. Sem o ciclo natural de claro e escuro, o organismo tende a perder a referência biológica, o que pode gerar fadiga e queda de desempenho.

Segundo os pesquisadores, a privação de sono pode comprometer diretamente tarefas críticas. A diminuição da atenção e da capacidade de tomada de decisão aumenta o risco de erros durante operações delicadas, o que pode afetar a segurança da missão.

Tecnologia nasceu em pesquisa científica da USP

O actígrafo foi desenvolvido a partir de pesquisas conduzidas na EACH-USP e contou, em sua fase inicial, com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), por meio do Programa de Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas.

Com o avanço dos estudos, o equipamento passou a ser produzido pela empresa brasileira Condor Instruments, ampliando sua utilização em pesquisas científicas no Brasil e no exterior.

O desenvolvimento da tecnologia envolveu estudos nas áreas de cronobiologia, neurociência e saúde, com foco na análise dos ritmos biológicos humanos.

Uso de tecnologia brasileira vai além das missões espaciais

Diferentemente de relógios inteligentes voltados ao uso cotidiano, o actígrafo possui aplicação científica e é utilizado em pesquisas sobre sono, saúde pública e funcionamento do organismo humano.

O monitoramento contínuo permite analisar como fatores como exposição irregular à luz, trabalho em turnos e alterações no horário de sono impactam o corpo. Os dados coletados também são utilizados em pesquisas sobre distúrbios do sono e podem contribuir para políticas públicas voltadas à qualidade de vida.

Foto de capa: Nasa

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