A China está construindo um ecossistema de chips autossuficiente para romper com a Nvidia

A questão é: o país deve continuar apostando em GPUs ou irá trocar para a tecnologia ASIC?

Chip ASIC
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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

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A Cambricon Technologies é uma empresa essencial nos planos da China para disputar com os EUA a liderança em inteligência artificial (IA). Embora não seja tão conhecida quanto a Huawei ou a Moore Threads, trata-se de uma das empresas especializadas no design de aceleradores de IA com maior potencial de crescimento. De qualquer forma, essas três companhias são as alternativas mais claras da China à Nvidia, já que todas elas já conseguiram colocar soluções competitivas no mercado.

A estratégia prioritária do governo liderado por Xi Jinping busca construir um ecossistema autossuficiente e capaz de romper o domínio da Nvidia no mercado. No entanto, como aponta o SCMP, no centro dessa rivalidade há um debate fundamental de arquitetura: a China deve continuar apostando em GPUs ou é preferível dar o salto para a tecnologia ASIC (Application-Specific Integrated Circuit, ou circuito integrado de aplicação específica)?

Os chips ASIC são projetados para executar uma única tarefa específica, diferentemente das GPUs e CPUs, que são de uso geral. Sua principal vantagem é a eficiência: por serem otimizados para uma função concreta, consomem menos energia e executam essa tarefa mais rapidamente. Ainda assim, têm uma desvantagem importante: a rigidez. Não podem ser reprogramados para outras funções, o que faz com que o debate mencionado acima seja totalmente pertinente.

A convergência parece inevitável

As grandes empresas de tecnologia chinesas que optam por chips ASIC para IA ganham desempenho em seus modelos específicos, mas ficam presas a uma arquitetura que não se adapta bem caso o tipo de carga de trabalho mude. Esse é o principal problema dessa abordagem.

Um relatório elaborado pelo banco Morgan Stanley e publicado em 8 de maio deixa clara a dinâmica do mercado: prevê que a Huawei capture 62% do mercado chinês de aceleradores de IA em 2026, seguida pela Cambricon Technologies com 14%.

Entre as grandes empresas de tecnologia com chips próprios, a Baidu e a Alibaba ficam em torno de 5% cada uma. De qualquer forma, uma coisa é certa: os principais players de chips ASIC estão aumentando sua relevância e seu volume na China. Em grande parte, isso ocorre porque a diferença de desempenho entre os chips chineses e as GPUs da Nvidia permitidas para exportação diminuiu significativamente.

Os dados do Morgan Stanley indicam que as placas Ascend 950 da Huawei e a Siyuan 690 da Cambricon Technologies superam em 50% o desempenho da GPU H20 da Nvidia.

Zhang Haijun, um analista especialista em semicondutores, afirma que, à medida que os modelos de IA se tornam mais complexos, a fronteira entre os ASICs personalizados e as GPUs flexíveis fica cada vez mais difusa. Esse cenário sugere que a arquitetura vencedora pode acabar combinando elementos de ambas as abordagens.

Su Lian Jye, analista-chefe da consultoria Omdia, defende que empresas com fortes capacidades de engenharia em IA e um roteiro claro se beneficiam mais dos ASICs, enquanto aquelas que lidam com cargas de trabalho mistas continuam tendendo para GPUs de propósito geral.

Por enquanto, o impulso do mercado na China favorece claramente os especialistas — as empresas que apostam na tecnologia ASIC. Em parte por escolha, em parte porque as sanções não lhes deixaram outra alternativa.

Imagem | Enflame

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


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