Cada país costuma ser associado a alguma característica quando o assunto é mercado de trabalho. A China é conhecida por longas jornadas e alta competitividade profissional. Já a Índia costuma ser lembrada pela enorme disputa por vagas e pelos desafios enfrentados por parte dos trabalhadores. Por isso, muita gente imagina que um desses países lideraria o ranking de pior país relacionado às condições de trabalho. Mas a realidade é outra: segundo um levantamento internacional, a Argentina acaba de entrar para a lista dos 10 piores países do mundo para trabalhadores.
O dado faz parte do Índice Global dos Direitos, elaborado pela Confederação Sindical Internacional (CSI), que avalia as condições de proteção aos trabalhadores em 151 países. No relatório mais recente, a Argentina foi rebaixada para a categoria mais crítica da classificação, reservada a locais onde os direitos trabalhistas enfrentam falhas graves de proteção e garantia.
Argentina sofreu uma das quedas mais rápidas já registradas no ranking
A surpresa não está apenas no fato de a Argentina ter entrado para a lista dos piores países do mundo para trabalhar, mas na velocidade com que isso aconteceu. Segundo a CSI, o país despencou da categoria 3 para a categoria 5, a mais baixa do índice, e isso tudo em apenas dois anos, uma queda vista como incomum pelo levantamento. De acordo com o relatório, essa piora está relacionada a tais fatores:
- Deterioração das garantias e direitos dos trabalhadores;
- Aumento das dificuldades para a atuação de sindicatos;
- Restrições a manifestações e mobilizações trabalhistas;
- Enfraquecimento dos mecanismos de proteção laboral;
- Queda acelerada que levou o país da categoria 3 para a categoria 5 em apenas dois anos.
A categoria 5 representa o nível mais crítico da classificação e é destinada a países onde os direitos dos trabalhadores não são efetivamente garantidos Segundo o relatório, sindicatos e trabalhadores passaram a enfrentar um ambiente mais difícil para exercer suas atividades, enquanto medidas relacionadas à segurança pública e ao controle de manifestações também foram apontadas como fatores de preocupação.
A Argentina passou a dividir esse grupo com países como Belarus, Egito, Mianmar, Nigéria, Tunísia e Turquia. Na América Latina, apenas Panamá e Equador aparecem na mesma faixa de classificação.
Enquanto a Argentina cai, país vizinho vira exemplo para o mundo
A Argentina aparece entre os casos mais preocupantes do continente sul-americano, mas um vizinho a ele está seguindo um caminho diferente. O Uruguai foi o único país do continente a alcançar a categoria 1 do índice, considerada a melhor classificação possível. Nessa faixa estão países onde ocorrem apenas violações esporádicas dos direitos trabalhistas. Também estão nesse grupo países como Alemanha, Áustria, Dinamarca, Irlanda, Noruega e Suécia, um contraste significativo em relação ao restante da América Latina. O Brasil foi enquadrado na categoria 4, destinada a países com violações sistemáticas de direitos trabalhistas. No mesmo grupo aparecem Costa Rica, El Salvador, Peru e Trinidad e Tobago.
O Índice Global dos Direitos é produzido todos os anos desde 2014 e utiliza 97 indicadores baseados em convenções e decisões da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Além das condições sindicais, o estudo analisa fatores como direito de greve, liberdade de associação, proteção contra abusos e capacidade de organização dos trabalhadores.
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