Cientistas tentam descobrir a origem de Kamo’oalewa, companheiro orbital da Terra; missão chinesa pode trazer resposta definitiva

É o "Eu vou lá e encontro!" da era espacial.

Kamo’oalewa, um objeto que compartilha a órbita da Terra ao redor do Sol.
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Carolina Rodrigues

Redatora
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Se tudo ocorrer conforme o planejado, a missão chinesa Tianwen-2 está prestes a alcançar Kamo’oalewa, um objeto que compartilha a órbita da Terra ao redor do Sol. O objetivo é esclarecer uma dúvida que intriga cientistas há anos: afinal, ele é um asteroide ou um fragmento da Lua?

Embora não seja o único objeto que acompanha a Terra em sua trajetória ao redor do Sol, Kamo’oalewa é um dos mais estudados desde sua descoberta, em 2016. Ao longo dos últimos anos, pesquisadores da Europa e dos Estados Unidos apresentaram diferentes hipóteses sobre sua origem, mas nenhuma delas foi confirmada de forma definitiva.

Agora, a expectativa é que a missão chinesa consiga trazer a resposta.

Missão chinesa vai coletar amostras

A sonda Tianwen-2 foi lançada em maio de 2025 com destino a Kamo’oalewa. Nos próximos dias, ela deverá chegar ao objeto e iniciar os preparativos para a coleta de amostras da superfície, prevista para o próximo mês.

Após a coleta, o material será enviado de volta à Terra. A previsão é que as amostras cheguem em 2027, quando poderão ser analisadas por cientistas da Academia Chinesa de Ciências.

A expectativa é que essas análises revelem, de forma definitiva, a origem do misterioso corpo celeste.

Descoberta abriu debate sobre sua origem

Kamo’oalewa foi observado pela primeira vez em abril de 2016 pelo telescópio Pan-STARRS, instalado no Observatório Haleakala, no Havaí.

Ainda naquele ano, pesquisadores europeus realizaram os primeiros estudos detalhados sobre o objeto. Eles calcularam sua órbita e analisaram características como a inércia térmica — a velocidade com que sua superfície reage às mudanças de temperatura.

Pesquisas posteriores, conduzidas no Instituto de Ciências Planetárias do Arizona, deram origem a duas explicações possíveis para sua formação.

A primeira sugere que Kamo’oalewa seja um asteroide que escapou do cinturão de asteroides. A segunda propõe que ele seja um fragmento da Lua, lançado ao espaço após um grande impacto na superfície lunar.

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Evidências apontaram para uma origem lunar

A hipótese de que o objeto poderia ter vindo da Lua ganhou força após observações realizadas por telescópios nos Estados Unidos.

As análises espectroscópicas mostraram que Kamo’oalewa é rico em silicatos, minerais também encontrados nas amostras lunares trazidas pelas missões Apollo.

Além disso, os cientistas identificaram uma faixa avermelhada em seu espectro de luz, semelhante à observada em regiões da superfície lunar que sofreram intensa exposição a micrometeoritos e ao vento solar ao longo de milhões de anos.

Novos estudos favorecem a hipótese do asteroide

Apesar dos indícios iniciais, um estudo europeu publicado recentemente reavaliou as probabilidades das duas hipóteses.

Segundo os pesquisadores, a explicação mais provável atualmente é que Kamo’oalewa seja realmente um asteroide, e não um fragmento lunar.

Pesquisadores chineses apresentam novas evidências

Enquanto a Tianwen-2 se aproxima do alvo, cientistas chineses continuam realizando observações à distância.

Em um estudo recente, eles compararam o espectro de Kamo’oalewa com o de uma condrita — um tipo de meteorito rochoso — submetida a bombardeamentos a laser em laboratório.

O procedimento simula os efeitos causados por milhões de anos de impactos espaciais.

Os resultados mostraram uma faixa avermelhada muito semelhante à observada em Kamo’oalewa. Isso sugere que a coloração não é uma característica exclusiva de materiais lunares, podendo também ser encontrada em certos tipos de asteroides ricos em silicatos.

Os pesquisadores acreditam que o objeto pode pertencer à família Flora, um grupo de asteroides localizado no cinturão principal entre Marte e Júpiter.

Resposta definitiva deve chegar em 2027

No momento, a hipótese de que Kamo’oalewa seja um asteroide parece ser a mais forte. Ainda assim, os cientistas afirmam que somente a análise direta das amostras coletadas pela Tianwen-2 poderá encerrar o debate.

Depois de anos de pesquisas e discussões entre especialistas europeus e norte-americanos, a resposta poderá vir graças a uma missão espacial chinesa.

O caso também destaca a importância da cooperação internacional na exploração espacial e na busca por respostas para algumas das maiores questões sobre a origem e a evolução do Sistema Solar.

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