O Brasil e a América Latina abraçaram a IA, mas um novo estudo revela o "abismo" de maturidade digital que ainda nos separa dos EUA

Estudo mostra que empresas brasileiras demonstram interesse em IA, mas ainda enfrentam desafios para implementar a tecnologia

Ia
Sem comentários Facebook Twitter Flipboard E-mail
natalia-martins

Natália P. Martins

Redatora
natalia-martins

Natália P. Martins

Redatora

A inteligência artificial virou prioridade para empresas no mundo todo — e o Brasil não ficou de fora. No entanto, um novo estudo mostra que, apesar do entusiasmo, o país e a América Latina ainda tem dificuldade em transformar o interesse em uso real da tecnologia.

O levantamento, realizado pela Adobe com base em dados do Adobe Acrobat, aponta que Brasil e América Latina demonstram grande otimismo em relação à inteligência artificial, mas permanecem em um estágio intermediário de maturidade digital quando comparados aos Estados Unidos.

Muito interesse, pouco uso prático

De acordo com o estudo, apenas 13% das pequenas e médias empresas (PMEs) brasileiras utilizam inteligência artificial de forma efetiva em suas operações. Em contraste, cerca de 75% das empresas demonstram intenção de adotar a tecnologia ou acreditam que ela terá impacto positivo nos negócios.

O cenário indica que muitas PMEs ainda utilizam ferramentas de inteligência artificial apenas em tarefas pontuais, como automação simples, marketing digital ou análise de dados.

América Latina segue o mesmo padrão

O padrão observado no Brasil também se repete em outros países da América Latina. O estudo aponta que a região apresenta um alto nível de interesse pela inteligência artificial, mas ainda com uso limitado na prática.

Países como Chile, México e Colômbia registram níveis de adoção ligeiramente superiores à média regional, mas ainda distantes dos patamares observados em economias mais maduras. 

Ou seja, a América Latina é caracterizada por uma combinação de expectativa elevada com implementação restrita,  principalmente em aplicações mais simples.

Estados Unidos lideram maturidade em IA

Enquanto isso, nos Estados Unidos, o cenário é diferente. O estudo mostra que empresas americanas já utilizam inteligência artificial de maneira mais estruturada, com integração da tecnologia aos processos internos e estratégias formais de adoção.

Esse nível de maturidade digital é resultado de maior investimento, capacitação técnica e planejamento estratégico, fatores que ainda são limitados em grande parte das empresas da América Latina.  

O que ainda impede a adoção da IA

Segundo a análise, as limitações à adoção de inteligência artificial no Brasil e na América Latina estão associadas a fatores estruturais, como capacitação técnica, governança digital, investimento e maturidade tecnológica das empresas. Sem avanços nessas áreas, a distância em relação a mercados mais avançados tende a persistir.

O estudo foi desenvolvido a partir de dados públicos e pesquisas internacionais, incluindo informações do Cetic.br, IBGE, Banco Interamericano de Desenvolvimento, além de levantamentos da Microsoft, Google em parceria com a Ipsos e dados do U.S. Census Bureau.

Foto de capa: Shutterstock


Inicio