BYD lança na França o modelo híbrido plug-in mais barato daquele mercado

Principal atrativo do Dolphin G DM-i é o preço, mas a versão de entrada tem limitações

Dolphin G DM-i
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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

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Primeira montadora chinesa, a BYD parece querer bater o recorde de expansão de linha mais rápida na França. Ela lança novidades em um ritmo tão acelerado que, às vezes, fica difícil acompanhar, ainda mais porque o estilo, o nome e o posicionamento de alguns modelos são bastante parecidos. Mas a mais recente chegada, o Dolphin G DM-i, tem um argumento forte para chamar atenção: o preço.

Esse sedã de cinco portas é vendido no mercado francês a partir de 23.990 euros (R$ 142 mil), ou 249 euros (R$ 1.500) por mês com entrada inicial de 1.400 euros (R$ 8,3 mil). É um valor simplesmente imbatível para um híbrido plug-in.

BYD Dolphin G DM-i: um grande urbano ou um compacto pequeno?

O nome pode confundir ainda mais os compradores. Na Europa, a BYD já oferece uma pequena cidade elétrica de 3,99 m chamada Dolphin Surf e um compacto “zero emissões” de 4,30 m chamado apenas Dolphin. Pelo tamanho, o novo Dolphin G DM-i se posiciona exatamente entre os dois, com 4,16 m de comprimento. Ele acaba sendo o mais longo dos urbanos versáteis ou o mais curto dos compactos, dependendo de como se queira classificá-lo.

De qualquer forma, a fabricante o enquadra no segmento B, o mesmo de modelos como o Renault Clio 6 e o Peugeot 208. Uma forma inteligente de reduzir comparações diretas, já que, nesse segmento, a tecnologia híbrida plug-in simplesmente não existe.

O BYD Dolphin G DM-i mede 4,16 m de comprimento, o que a coloca entre os subcompactos urbanos e os compactos O BYD Dolphin G DM-i mede 4,16 m de comprimento, o que a coloca entre os subcompactos urbanos e os compactos

A distância entre-eixos de 2,61 m também fica no limite entre as duas categorias. Os 23.990 euros (R$ 142 mil) pedidos na versão de entrada ainda são competitivos mesmo frente a modelos urbanos com sistemas híbridos menos avançados. Um Renault Clio E-Tech full hybrid de 160 cv, por exemplo, não sai por menos desse patamar, enquanto o preço de tabela de um Toyota Yaris de 116 cv começa em 24.850 euros (R$ 147 mil).

Já o Peugeot 208, cujo sistema híbrido leve bastante peculiar não é unanimidade, parte de 24.200 euros (R$ 144 mil) na versão de 110 cv. Ainda assim, tanto o pequeno “leão” quanto sua rival japonesa costumam receber descontos constantes.

Duas opções de bateria bem diferentes 

Em contrapartida aos preços agressivos, o Dolphin G DM-i Active de entrada precisa se contentar com uma bateria relativamente modesta para um híbrido plug-in. A capacidade desse acumulador do tipo Blade, com química de lítio-ferro-fosfato (LFP), é de apenas 7,42 kWh, e a autonomia elétrica no ciclo WLTP chega a 40 km. Isso é, claro, muito mais do que um híbrido convencional ou leve, que muitas vezes mal consegue rodar 2 km sem acionar o motor a combustão. Mas o peso extra também é bem maior, e o consumo nem sempre é tão baixo quando a bateria se esgota.

A potência combinada é de 175 cv: menos do que a compatriota MG3 Hybrid+, um híbrido “autorrecarregável” ainda mais barato e que anuncia 195 cv.

As versões superiores, disponíveis a partir de 26.990 euros (R$ 160 mil), mantêm o mesmo motor elétrico de ímã permanente de 163 cv e 210 Nm. No entanto, a potência total sobe para 212 cv, como no SUV Atto 2 DM-i. Mais importante, elas permitem ir muito mais longe em modo “zero emissões”.

A bateria, ainda baseada na mesma tecnologia, passa a ter 18,3 kWh, o que permite percorrer até 105 km sem ligar o motor 1.5 a combustão. As emissões de CO₂ são praticamente reduzidas pela metade, caindo de 60 g/km para 32 g/km. Por outro lado, a autonomia total aumenta apenas 20 km, chegando a 1.040 km, o que sugere um tanque de combustível provavelmente menor, podendo exigir paradas mais frequentes em viagens longas.

A versão “de entrada” do Dolphin G DM-i também precisa lidar com uma potência de recarga em corrente alternada de apenas 3,3 kW. Nada realmente limitante, já que a bateria menor permite recarga de 15% a 100% em menos de três horas. Porém, apenas as versões superiores podem ser conectadas a carregadores rápidos em corrente contínua. Mesmo que limitem a 39 kW — bem abaixo dos 1.500 kW dos acumuladores mais avançados da BYD — isso ainda é suficiente para ir de 10% a 80% em cerca de 26 minutos.

Além disso, o carregador em corrente alternada sobe para 6,6 kW, e há a função Vehicle-to-Load (V2L), que permite alimentar dispositivos externos, como um laptop, a partir da energia do carro.

Muitos pontos positivos no papel 

Independentemente da versão escolhida, não há risco de multa ecológica relacionada ao CO₂. O peso também permanece abaixo de 1.560 kg, mesmo com a bateria maior. Isso fica bem abaixo dos limites previstos pela taxa sobre a massa em ordem de circulação, que eliminou do mercado diversos híbridos plug-in. Quanto ao porta-malas, frequentemente prejudicado nesse tipo de motorização, ele oferece aqui um volume interessante de 425 dm³, mesmo com a bateria de 18,3 kWh sob o assoalho. É praticamente o mesmo que o da Renault Mégane E-Tech elétrica, que é um pouco maior.

O BYD Dolphin G DM-i anuncia um volume de porta-malas de 425 dm³ em toda a sua linha O BYD Dolphin G DM-i anuncia um volume de porta-malas de 425 dm³ em toda a sua linha

No papel, portanto, o Dolphin G DM-i reúne argumentos sólidos para atrair muitos clientes. Ainda mais porque a BYD oferece na França uma das garantias mais generosas do mercado: até 6 anos ou 150.000 km para o veículo e até 8 anos ou 250.000 km para a bateria. Como de costume com carros chineses, as incertezas sobre o valor de revenda podem levar alguns consumidores a preferirem o leasing de longo prazo. Mas, sobretudo, os produtos desse gigante industrial costumam apresentar níveis de qualidade bastante irregulares.

Por isso, a marca promete testar essa novidade o quanto antes. Enquanto isso, os mais ansiosos já podem fazer pedidos, embora as entregas só comecem no início do outono.

Principais equipamentos do BYD Dolphin G DM-i

Certos modelos da BYD apresentam um interior mais original do que o do Dolphin G DM-i.

Active - R$ 142 mil

  • Rodas de liga leve de 16 polegadas
  • Faróis, lanternas traseiras e luzes diurnas em LED
  • Tela central sensível ao toque de 10,1 polegadas compatível com Apple CarPlay e Android Auto
  • Painel de instrumentos digital de 8,8 polegadas
  • Duas portas USB dianteiras
  • Ar-condicionado automático
  • Bancos em tecido
  • Sensores de estacionamento dianteiros e traseiros
  • Câmera de ré
  • Controle de cruzeiro adaptativo
  • Monitoramento de ponto cego
  • Assistente de permanência de faixa de emergência
  • Alerta de tráfego cruzado dianteiro e traseiro com frenagem automática

Boost (além do Active) - R$ 160 mil

  • Tela central de 12,8 polegadas compatível com Apple CarPlay e Android Auto
  • Bancos dianteiros e volante aquecidos
  • Espelho interno eletrocrômico
  • Retrovisores externos com rebatimento elétrico
  • Carregador por indução para smartphone de 15 W
  • Saídas de ar e portas USB traseiras
  • Sistema de áudio com oito alto-falantes

Comfort (além do Boost) - R$ 170 mil

  • Head-up display panorâmico
  • Banco do motorista com ajuste elétrico e suporte lombar elétrico
  • Teto panorâmico com cortina elétrica
  • Revestimento em tecido e TEP
  • Luzes de projeção no chão integradas aos retrovisores externos
  • Rodas de liga leve de 18 polegadas
  • Sistema de infotainment com Google Maps e Google Assistant integrados + possibilidade de baixar aplicativos
  • Câmera panorâmica 360°

Sport - R$ 175 mil

  • Mesmo equipamento da versão Comfort, com apresentação interior e exterior mais esportiva

Este texto foi traduzido/adaptado do site L’Automobile Magazine.


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