A sede da Copa do Mundo está afundando: Cidade do México cede até 24 cm por ano e o fenômeno já é visível do espaço

Imagens da NASA revelam que o solo da capital mexicana sofre uma compactação irreversível e já afundou 12 metros em um século

Afundando
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Natália P. Martins

Redatora
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Natália P. Martins

Redatora

Enquanto milhões de torcedores acompanham os jogos da Copa do Mundo, uma das cidades que recebe parte do torneio chama a atenção por um problema muito maior. A Cidade do México está afundando em um ritmo tão acelerado que o processo já pode ser monitorado por satélites espaciais.

Imagens divulgadas pela NASA mostram que algumas regiões da capital mexicana estão cedendo cerca de 2 centímetros por mês, o equivalente a aproximadamente 24 centímetros por ano. Em determinadas áreas, especialistas calculam que o solo já baixou mais de 12 metros ao longo do último século.

O fenômeno, conhecido como subsidência do solo, não é resultado de terremotos ou movimentações tectônicas, mas de décadas de exploração intensa dos aquíferos subterrâneos que abastecem a metrópole.

Cidade do México foi construída em local que antes era alagado

A capital mexicana foi construída sobre o antigo Lago Texcoco, um sistema de lagos que ocupava a maior parte do Vale do México antes da chegada dos espanhóis. Ao longo dos séculos, grande parte dessas áreas foi drenada para permitir a expansão urbana.

Hoje, uma região metropolitana com cerca de 22 milhões de habitantes depende fortemente da água armazenada no subsolo. O problema é que a retirada contínua desse recurso provoca a compactação das camadas de argila que sustentam a cidade.

@gianmarco_fochetti

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Quando a água é retirada, esses sedimentos perdem volume e se comprimem de forma praticamente irreversível, fazendo a superfície afundar gradualmente.

Especialistas alertam que, sem mudanças profundas na gestão hídrica, o processo tende a continuar nas próximas décadas.

Satélite da NASA consegue acompanhar o problema do espaço

Os dados mais recentes foram obtidos pela missão NISAR, desenvolvida em parceria entre a NASA e a agência espacial indiana (ISRO). O satélite utiliza radares de alta precisão capazes de detectar pequenas alterações na superfície terrestre, mesmo em áreas cobertas por vegetação ou grandes construções.

As medições realizadas entre outubro de 2025 e janeiro de 2026 revelaram que alguns bairros aparecem em azul-escuro nos mapas de subsidência, indicando taxas superiores a 2 centímetros de afundamento por mês.

mapa subsidiencia  cidade do méxico Imagem: NASA

Efeitos do afundamento já podem ser vistos nas ruas

O afundamento provocado pela subsidência do solo já alterou a paisagem da Cidade do México.

Catedral Metropolitana

Construída a partir de 1573, a principal igreja do país apresenta inclinações perceptíveis causadas pelo rebaixamento desigual do terreno.

520565315 Imagem: Getty Images

Anjo da Independência

Um dos monumentos mais famosos do México precisou passar por adaptações ao longo do tempo. Foram adicionados 14 degraus extras para compensar o afundamento do solo ao redor da estrutura.

Anjo Da Independencia Imagem: Sobre Geologia/Facebook

Aeroporto Internacional Benito Juárez

O principal aeroporto da capital está entre as áreas consideradas mais vulneráveis. Por isso, passa por constantes obras de manutenção para lidar com deformações no terreno.

O que pode acontecer no futuro?

Pesquisadores afirmam que o afundamento da Cidade do México dificilmente poderá ser revertido nas áreas onde a compactação do solo já ocorreu.

O principal objetivo das autoridades é reduzir a velocidade do processo por meio de medidas como:

  • Uso mais sustentável dos aquíferos;
  • Ampliação do reaproveitamento de água;
  • Recuperação de áreas úmidas;
  • Investimentos em infraestrutura hídrica;
  • Planejamento urbano adaptado às características do terreno.

Foto de capa: Josh Harner/The New York Times

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