Enquanto milhões de torcedores acompanham os jogos da Copa do Mundo, uma das cidades que recebe parte do torneio chama a atenção por um problema muito maior. A Cidade do México está afundando em um ritmo tão acelerado que o processo já pode ser monitorado por satélites espaciais.
Imagens divulgadas pela NASA mostram que algumas regiões da capital mexicana estão cedendo cerca de 2 centímetros por mês, o equivalente a aproximadamente 24 centímetros por ano. Em determinadas áreas, especialistas calculam que o solo já baixou mais de 12 metros ao longo do último século.
O fenômeno, conhecido como subsidência do solo, não é resultado de terremotos ou movimentações tectônicas, mas de décadas de exploração intensa dos aquíferos subterrâneos que abastecem a metrópole.
Cidade do México foi construída em local que antes era alagado
A capital mexicana foi construída sobre o antigo Lago Texcoco, um sistema de lagos que ocupava a maior parte do Vale do México antes da chegada dos espanhóis. Ao longo dos séculos, grande parte dessas áreas foi drenada para permitir a expansão urbana.
Hoje, uma região metropolitana com cerca de 22 milhões de habitantes depende fortemente da água armazenada no subsolo. O problema é que a retirada contínua desse recurso provoca a compactação das camadas de argila que sustentam a cidade.
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Quando a água é retirada, esses sedimentos perdem volume e se comprimem de forma praticamente irreversível, fazendo a superfície afundar gradualmente.
Especialistas alertam que, sem mudanças profundas na gestão hídrica, o processo tende a continuar nas próximas décadas.
Satélite da NASA consegue acompanhar o problema do espaço
Os dados mais recentes foram obtidos pela missão NISAR, desenvolvida em parceria entre a NASA e a agência espacial indiana (ISRO). O satélite utiliza radares de alta precisão capazes de detectar pequenas alterações na superfície terrestre, mesmo em áreas cobertas por vegetação ou grandes construções.
As medições realizadas entre outubro de 2025 e janeiro de 2026 revelaram que alguns bairros aparecem em azul-escuro nos mapas de subsidência, indicando taxas superiores a 2 centímetros de afundamento por mês.
Imagem: NASA
Efeitos do afundamento já podem ser vistos nas ruas
O afundamento provocado pela subsidência do solo já alterou a paisagem da Cidade do México.
Catedral Metropolitana
Construída a partir de 1573, a principal igreja do país apresenta inclinações perceptíveis causadas pelo rebaixamento desigual do terreno.
Imagem: Getty Images
Anjo da Independência
Um dos monumentos mais famosos do México precisou passar por adaptações ao longo do tempo. Foram adicionados 14 degraus extras para compensar o afundamento do solo ao redor da estrutura.
Imagem: Sobre Geologia/Facebook
Aeroporto Internacional Benito Juárez
O principal aeroporto da capital está entre as áreas consideradas mais vulneráveis. Por isso, passa por constantes obras de manutenção para lidar com deformações no terreno.
O que pode acontecer no futuro?
Pesquisadores afirmam que o afundamento da Cidade do México dificilmente poderá ser revertido nas áreas onde a compactação do solo já ocorreu.
O principal objetivo das autoridades é reduzir a velocidade do processo por meio de medidas como:
- Uso mais sustentável dos aquíferos;
- Ampliação do reaproveitamento de água;
- Recuperação de áreas úmidas;
- Investimentos em infraestrutura hídrica;
- Planejamento urbano adaptado às características do terreno.
Foto de capa: Josh Harner/The New York Times
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