Muito antes das redes sociais transformarem qualquer coincidência em teoria, um hábito aparentemente banal já chamava a atenção de curiosos nos Estados Unidos: o aumento repentino dos pedidos de pizza nos arredores do Pentágono e de outros prédios do governo.
A ideia deu origem ao chamado "Pentagon Pizza Index" (Índice da Pizza do Pentágono), uma teoria informal segundo a qual picos de movimento em pizzarias próximas a centros estratégicos americanos podem indicar que autoridades militares e de inteligência estão trabalhando até tarde para acompanhar ou coordenar grandes operações.
O que é o "Índice da Pizza do Pentágono"?
O conceito do monitoramento é simples: em momentos de crise, funcionários do Pentágono, da Casa Branca e de outras agências governamentais costumam permanecer no trabalho por longas horas. Em vez de deixar seus postos, muitos recorrem ao delivery.
Assim, um aumento fora do comum nos pedidos de pizza e em outros serviços de alimentação poderia funcionar como um pequeno sinal de que algo importante está acontecendo nos bastidores.
Hoje, perfis como o Pentagon Pizza Report, no X (antigo Twitter) e o site Pentagon Pizza Index monitoram dados públicos de plataformas como o Google Maps para observar variações no movimento de pizzarias próximas ao complexo militar americano.
Nighthawk Brewery & Pizza, one of the closest pizzerias to the Pentagon, is experiencing a surge in activity.
— Pentagon Pizza Report (@PenPizzaReport) June 10, 2026
As of 8:10pm ET pic.twitter.com/sOIhGswmEv
Teoria nasceu antes das especulações na internet
Em 1990, um franqueado da Domino's em Washington contou ao jornal Los Angeles Times que havia percebido um crescimento incomum nas entregas para o Pentágono, a CIA e a Casa Branca.
Segundo o relato, em 1º de agosto de 1990, a CIA teria feito um número recorde de pedidos de pizza durante a noite. No dia seguinte, o Iraque invadiu o Kuwait, dando início à Guerra do Golfo.
Poucos anos depois, observações semelhantes, que ajudaram a consolidar o chamado Pizza Meter, ou "medidor de pizza", foram associadas a outros acontecimentos importantes:
- Invasão americana ao Panamá;
- Operação Tempestade no Deserto;
- Processo de impeachment do presidente Bill Clinton;
- Crises militares envolvendo o Oriente Médio.
Índice Pizza voltou a viralizar em 2025
A teoria ganhou fôlego novamente em junho de 2025, quando perfis especializados em monitoramento de dados públicos identificaram um aumento repentino na movimentação de pizzarias próximas ao Pentágono horas antes do início dos ataques de Israel contra o Irã.
Segundo os responsáveis pelo monitoramento, praticamente todas as pizzarias da região registraram um movimento acima do normal durante a noite.
Além disso, a análise incluiu outros estabelecimentos comerciais: um bar próximo ao Pentágono, por exemplo, apresentava um fluxo considerado muito abaixo do habitual (depois do horário de fechamento), o que foi interpretado pelos internautas como mais um indício de que muitos funcionários ainda estavam trabalhando. Pouco tempo depois, os primeiros bombardeios foram confirmados.
Movimentações em restaurantes são monitoradas ao redor do Pentágono. Foto: Shutterstock
Monitorametno é feito com informações abertas ao público
Ao contrário do que muita gente imagina, não existe acesso a informações secretas ou dados internos do governo. Os perfis utilizam apenas informações abertas ao público, como:
- Indicadores de movimento do Google Maps;
- Horários de funcionamento de restaurantes;
- Padrões históricos de consumo na região de Washington.
Esse tipo de acompanhamento faz parte do chamado OSINT (Open Source Intelligence), método que reúne informações disponíveis publicamente para identificar padrões e possíveis acontecimentos.
A teoria tem alguma comprovação?
Apesar das coincidências, o Índice da Pizza do Pentágono não possui qualquer base científica e jamais foi reconhecido oficialmente pelo governo dos Estados Unidos.
Ainda assim, o tema desperta curiosidade porque diversos episódios históricos parecem coincidir com aumentos nas entregas de comida para órgãos estratégicos americanos.
Imagens: Shutterstock
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