Agricultor francês coloca 500 toneladas de batatas na estrada para quem quiser levar e atrai romaria de oportunistas

Tubérculos fazem parte de colheita que não conseguiu ser vendida e podem ser recolhidos de graça

Batatas
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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

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Gigny-Bussy, uma comuna que não chega a ter 300 habitantes, virou manchete por um motivo curioso: uma montanha de batatas à disposição de quem quisesse aparecer com sacolas, sacos, carros ou até caminhonetes para levá-las de graça. O jornal francês L'Union, um dos primeiros a divulgar a notícia, calculou que poderia haver mais de 500 toneladas de tubérculos empilhadas perto da D396, uma estrada que atravessa hectares de plantações.

Se não é habitual encontrar uma montanha de batatas empilhadas no campo, ao ar livre, menos comum ainda é que essa gigantesca pilha esteja à disposição de quem quiser levar os tubérculos para casa. Isso aconteceu graças a um agricultor local que, por não conseguir vender parte de sua colheita e para evitar que os produtos acabassem apodrecendo, decidiu montar o maior bufê livre de batatas do mundo.

Não se sabe muita coisa sobre o agricultor em questão. Apenas que é de Aube, possui terras em Marne e se viu diante do dilema de o que fazer com as centenas de toneladas de batatas da safra passada que não conseguiu vender.

Manter a mercadoria no armazém custa dinheiro e a perspectiva de deixá-la apodrecer também não o convencia. Assim, levando em conta que os tubérculos são comestíveis, decidiu empilhá-los perto de uma estrada para que ficassem à disposição de quem quisesse levar. Se sobrar alguma coisa, ela será espalhada pelos campos como adubo.

Como as pessoas reagiram?

A notícia surgiu no fim de julho e a oferta gratuita de batatas ficou disponível durante várias semanas, tempo suficiente para que todo tipo de gente se reunisse em Gigny-Bussy. Houve quem aparecesse para encher algumas sacolas, quem fosse embora com o porta-malas do carro lotado de tubérculos e até, segundo o L'Union, quem visse ali uma oportunidade de negócio de ética mais que duvidosa.

“Quem veio antes de nós disse que revendia o que levava por 15 euros a cada 20 kg. E veio várias vezes nesta semana”, explicou ao jornal uma moradora da região que afirmava recolher batatas apenas para consumo próprio.

Christophe, um homem de 68 anos que passava de carro pela região acompanhado da família, contou que ficou impressionado com a quantidade de pessoas que havia no campo e decidiu se aproximar. “Vimos um monte de carros ao redor de um monte de batatas e pensamos: ‘Por que não podemos aproveitar também?’”. Dito e feito. Pouco depois, encheu o porta-malas junto com a mulher, a filha e os netos.

“As batatas não são baratas. Então, quando você pode consegui-las de graça, não deve se privar”, confessa. Ele não é o único a pensar assim. Dylan, um homem de cerca de 30 anos de Saint-Dizier, afirmou que, alguns anos atrás, já conseguiu um lote de 600 kg que armazenou cuidadosamente no porão de casa, entre palha. “Elas se conservam bem, mas não tenho mais nenhuma. Então, quando soube que havia aqui, vim me servir”.

Christine, outra moradora que se abasteceu em Gigny-Bussy, explica que, dias antes, já havia recolhido batatas em Sapignicourt em circunstâncias semelhantes. “É fantástico porque ajuda a evitar o desperdício e permite que todos se beneficiem”, declarou ao jornal. Há poucos dias, a France Info, emissora pública francesa, relatou o caso de um agricultor de La Gorgue que descobriu que a McCain havia rejeitado parte de sua colheita porque, em sua opinião, ela não atendia aos seus padrões de qualidade.

Diante da perspectiva de armazenar o excedente em seus depósitos até que acabasse se deteriorando, o agricultor tomou uma decisão peculiar: ofereceu cerca de 50 toneladas de tubérculos a quem quisesse levá-los para casa. O único requisito era pagar antes uma “entrada” simbólica de dez euros, que dava direito a recolher a quantidade de batatas que quisesse. “É uma ótima iniciativa para os moradores. Além de ser triste para ele, é um gesto bonito”, disse um morador.

Imagem | Olivier Bacquet (Flickr) e Google Maps

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


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