Achávamos que a estabilidade era o objetivo, mas os números provam o contrário: o recorde de "burnout" que está transformando o mercado de trabalho

Pressão, jornadas longas e falta de equilíbrio aumentam o número de afastamentos por burnout

Homem estressado na mesa de trabalho.
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Natália P. Martins

Redatora
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Natália P. Martins

Redatora

O que antes era visto como o principal objetivo profissional — estabilidade, carreira longa e segurança — vem perdendo espaço diante de uma nova realidade: o esgotamento mental. O número de afastamentos por burnout disparou no Brasil e começa a mudar a forma como trabalhadores enxergam suas carreiras, prioridades e qualidade de vida.

Dados do Instituto Nacional do Seguro Social mostram que, em 2024, foram concedidos 3.359 benefícios por síndrome de burnout, quase três vezes mais que em 2023, quando foram registrados 1.153 casos.

Burnout cresce e muda a relação com o trabalho

A síndrome de burnout é caracterizada pelo esgotamento físico e emocional provocado por estresse crônico no trabalho. Entre os principais sintomas estão cansaço extremo, ansiedade, falta de motivação, dificuldade de concentração e, em casos mais graves, depressão.

Nos últimos anos, o problema deixou de ser pontual e passou a afetar profissionais de diversas áreas, especialmente em setores com alta pressão, como tecnologia, saúde, educação e finanças.

Esse cenário tem levado muitos trabalhadores a repensarem suas carreiras e, em alguns casos, até abandonar empregos considerados estáveis.

Crise de burnout levou profissional a mudar de vida

Foi o que aconteceu com a paulistana Priscila Albuquerque, de 42 anos. Após duas décadas trabalhando na área de tecnologia, ela decidiu pedir demissão e mudar completamente sua rotina depois de sofrer uma crise de burnout.

"Eu já tinha esse plano de conhecer o Brasil, conhecer o mundo, viajar, mas o trabalho sempre deixa a gente um pouco preso. Tive um burnout depois de uma mudança de gestão, algumas coisas aconteceram, e foi quando resolvi vender meu apartamento e ir atrás desse sonho", conta.

A decisão foi planejada. Sem salário fixo, Priscila vendeu o apartamento, se desfez dos móveis e organizou suas finanças antes de iniciar uma jornada de viagens pelo Brasil.

Desde junho do ano passado, ela percorreu estados como Bahia, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Sergipe, Alagoas e Pernambuco, participando de festivais de forró e realizando trilhas em meio à natureza.

"A viagem para mim é como um antídoto para essa vida corrida que a gente leva. É um momento de retorno a si mesma", afirma.

Diagnóstico de burnout cresce no Brasil

O aumento dos casos de burnout reflete mudanças no mundo do trabalho, como jornadas extensas, cobrança por produtividade, metas agressivas e a dificuldade de desconectar fora do expediente.

A pandemia também contribuiu para esse cenário, com o aumento do trabalho remoto e a mistura entre vida profissional e pessoal.

Além disso, especialistas apontam que o medo de perder o emprego e a instabilidade econômica aumentam a pressão sobre os trabalhadores, ampliando o risco de esgotamento.

Burnout já é reconhecido como problema de saúde

A síndrome de burnout foi oficialmente reconhecida como doença ocupacional pela Organização Mundial da Saúde, o que reforça a importância do tema e amplia a discussão sobre a saúde mental no trabalho.

Foto de capa: Shutterstock


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