Falha no Outlook: Artemis II registra o primeiro chamado de suporte técnico da Microsoft a partir do espaço

De todos os problemas possíveis, o que acabou acontecendo foi uma falha no e-mail

Artemis II e Outlook
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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

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No último dia 2 de abril, vivemos um fato histórico para a humanidade: a Artemis II decolou rumo à Lua após mais de 50 anos sem nenhuma missão orbitar próxima ao satélite da Terra. Embora o lançamento tenha sido um sucesso, o caminho até chegar ali não esteve livre de problemas: já havia sido necessário adiar a primeira data de lançamento e também a segunda.

Mesmo no dia oficial, houve contratempos. Nas horas anteriores, foi preciso revisar uma anomalia em um sensor de temperatura de uma bateria do sistema de abortagem e também surgiu outra ocorrência no sistema de terminação de voo (o mecanismo de segurança que permite a destruição do foguete caso ele saia da trajetória e se torne uma ameaça).

Quando a nave Orion estava voando a quase 150.000 quilômetros da Terra, segundo a Fortune, o comandante Reid Wiseman se deparou com um problema mundano enfrentado por qualquer pessoa que tem um e-mail da Microsoft: uma falha no Outlook.

O incidente

O lançamento de Artemis II pôde ser acompanhado ao vivo e, nessa transmissão, aproximadamente 13 horas e 15 minutos após o início, há um trecho em que aparece o problema: "Vejo que tenho duas contas do Microsoft Outlook, e nenhuma funciona. Se você pudesse se conectar remotamente e verificar o Optimus e essas duas contas do Outlook, seria ótimo".

No início, Wiseman tinha problemas relacionados ao software Optimus, mas depois apontou uma preocupação mais trivial: havia duas instâncias do Outlook sendo executadas em seu dispositivo de computação pessoal. Como curiosidade, a transmissão ao vivo do lançamento está disponível no YouTube.

A missão Artemis II é histórica e a transmissão deixou registradas para a posteridade suas primeiras horas de voo e essa anedota, que provavelmente constitui o primeiro chamado de suporte técnico da Microsoft gerado a partir do espaço. Para além da curiosidade, o episódio evidencia que a exploração espacial atual e sua tecnologia de ponta convivem com softwares de produtividade comerciais e seus problemas habituais. Quando uma agência padroniza toda a sua infraestrutura em um único ecossistema tecnológico, os problemas desse ecossistema também se tornam problemas da missão.

right now the astronauts are calling houston because the computer on the spaceship is running two instances of microsoft outlook and they can't figure out why. nasa is about to remote into the computer

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— niki grayson (@nikigrayson.com) 2 de abril de 2026 às 03:06

Como em qualquer chamado corporativo padrão, primeiro o usuário reporta o incidente, depois a equipe técnica assume remotamente e encerra o caso. Houston aceitou o pedido de acesso remoto ao dispositivo do comandante, identificado nos registros como PCD 1, e, cerca de uma hora depois, o Outlook voltou a funcionar. Após 14 horas e 20 minutos de transmissão, alguém da comunicação do controle da missão dizia: "Conseguimos abrir o Outlook. Ele aparecerá como ‘desconectado’, como era de se esperar", como relata o Tom's Hardware.

Por que usam Outlook no espaço

O fato de haver software da Microsoft a bordo não é algo casual nem improvisado: a Microsoft é uma parceira estratégica da NASA, fornecendo desde softwares de produtividade até infraestrutura de dados em nuvem e inteligência artificial (NASA Earth Copilot), além de hardware e realidade mista, enquanto a Minburn Technology Group é sua parceira para suporte e manutenção do software.

Segundo a NASA, os dispositivos pessoais dos astronautas na nave Orion são Microsoft Surface Pro, e o software que executam é do tipo Commercial Off-The-Shelf, ou seja, software comercial padrão para tarefas comuns do dia a dia, como falar com a família ou gerenciar fotos e vídeos. Outra coisa são a nave espacial e os sistemas principais de voo: esses funcionam com hardware especializado resistente à radiação e software dedicado, com manutenção rigorosa.

A falha do Outlook não foi o único problema técnico nas primeiras horas de voo, como pode ser visto na transmissão. Cerca de duas horas após o lançamento, acendeu uma luz de falha no sistema de gestão de resíduos da nave: o ventilador extrator de urina havia travado. Esse componente é responsável por aspirar a urina para um coletor, evitando os efeitos incômodos e anti-higiênicos da microgravidade. A NASA confirmou pouco depois que o problema do banheiro havia sido resolvido.

Imagem | NASA e Ed Hardie

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


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