O fim do diagnóstico tardio: a nova invenção brasileira que identifica o câncer de mama logo no início apenas pelo sangue

Exame brasileiro identifica sinais da doença com 95% de precisão e pode ampliar o diagnóstico precoce

Tubo de exame de sangue
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Natália P. Martins

Redatora
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Natália P. Martins

Redatora

Um exame de sangue desenvolvido por cientistas brasileiros pode transformar a forma como o câncer de mama é detectado. Chamado de RosalindTest, o método utiliza apenas uma amostra sanguínea para identificar sinais precoces da doença com cerca de 95% de precisão, segundo estudos iniciais. A tecnologia foi criada por pesquisadores da Faculdade de Medicina do ABC em parceria com a biotech LiqSci.

Teste identifica câncer antes dos primeiros sintomas

Diferente da mamografia, que identifica alterações físicas nas mamas, o RosalindTest atua em nível molecular — ou seja, ele procura sinais biológicos da doença antes mesmo de o tumor se formar ou ser visível em exames de imagem.

Para isso, os pesquisadores analisam dois biomarcadores específicos: HIF-1α e GLUT1. Esses genes costumam apresentar maior atividade quando células tumorais começam a se desenvolver. Isso acontece porque tumores crescem rapidamente e acabam vivendo em um ambiente com pouco oxigênio — um fenômeno conhecido como hipóxia tumoral.

Quando essa hipóxia ocorre, o organismo passa a produzir mais RNA mensageiro desses genes. O RNA mensageiro funciona como uma espécie de "mensagem" que revela quais genes estão mais ativos no corpo naquele momento.

Para identificar essas alterações, o exame utiliza a técnica de PCR digital. Esse método permite detectar quantidades muito pequenas dessas moléculas no sangue, mesmo quando o tumor ainda é microscópico.

Ou seja, o exame pode identificar sinais do câncer antes mesmo do surgimento de sintomas ou de alterações detectáveis pela mamografia, o que aumenta as chances de diagnóstico precoce e tratamento mais eficaz.

Tecnologia funciona como complemento à mamografia

Apesar dos resultados promissores, os pesquisadores destacam que o exame não substitui a mamografia. A proposta é que o teste funcione como uma etapa inicial de triagem, ajudando a identificar pacientes com maior risco e priorizar investigações mais detalhadas.

Isso pode ser especialmente útil em casos em que exames de imagem apresentam resultados negativos, mas há suspeita clínica.

"A gente não pode impedir que o câncer apareça, mas podemos impedir que ele mate. Se o diagnóstico acontecer no estágio inicial, queremos facilitar o acesso e evitar mortes", explica a pesquisadora Beatriz Aguiar, envolvida no projeto.

Teste pode ampliar acesso ao diagnóstico no Brasil

Uma das principais vantagens do RosalindTest é a possibilidade de ampliar o acesso ao rastreamento do câncer de mama. Enquanto a mamografia depende de equipamentos e estrutura hospitalar, o exame de sangue pode ser feito em unidades básicas de saúde, inclusive em regiões mais afastadas.

Em um projeto-piloto realizado com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural, o teste foi aplicado em mulheres do interior de São Paulo e do Ceará. Muitas delas nunca haviam realizado exames de rastreamento.

Em um dos casos, o exame indicou alteração significativa, mas a mamografia e o ultrassom não identificaram o tumor. Após investigação com ressonância magnética, foi detectado um câncer em estágio inicial. A paciente precisou apenas de cirurgia, sem necessidade de quimioterapia ou radioterapia.

Diagnóstico precoce aumenta chances de cura

A detecção precoce é considerada um dos fatores mais importantes no tratamento do câncer de mama. Quando diagnosticada nos estágios iniciais, a doença pode ter taxas de cura que chegam a 90%.

Segundo dados do Instituto Nacional do Câncer, o câncer de mama é o tipo mais comum entre mulheres no Brasil. A estimativa para o período de 2026 a 2028 é de cerca de 78 mil novos casos por ano. Apesar disso, muitos diagnósticos ainda ocorrem em fases avançadas, o que reduz as chances de tratamento eficaz.

Foto de capa: Pexels


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