Na Noruega, trabalha-se pouco, mas produz-se muito, o que causa estresse; a Geração Z encontrou a solução: a semana de quatro dias

Noruega já havia otimizado tempo de trabalho com semanas de 33,6 a 37,5 horas

Agora, essa geração está optando por semana de trabalho de quatro dias para manter salário e produtividade, trabalhando menos horas

Imagens | Unsplash (Julian Zwengel, Jopopz Tallorin)
Sem comentários Facebook Twitter Flipboard E-mail
pedro-mota

PH Mota

Redator
pedro-mota

PH Mota

Redator

Jornalista há 15 anos, teve uma infância analógica cada vez mais conquistada pelos charmes das novas tecnologias. Do videocassete ao streaming, do Windows 3.1 aos celulares cada vez menores.

1548 publicaciones de PH Mota

Na Noruega, sair do escritório às três ou quatro da tarde não é um privilégio nem uma exceção: é o horário padrão para milhões de trabalhadores. De acordo com a Pesquisa Norueguesa sobre a Força de Trabalho, a jornada padrão na Noruega é de cerca de 37,5 horas, distribuídas em turnos de 7,5 horas, enquanto a média real é de cerca de 33,6 horas, colocando o país entre as economias desenvolvidas com a menor jornada de trabalho.

No entanto, mesmo com esse ponto de partida invejável, a Noruega questiona se a semana de trabalho de cinco dias ainda faz sentido. A resposta aponta para uma semana de quatro dias, não como utopia, mas como experimento contínuo apoiado por dados científicos.

Um país que trabalha pouco e produz muito

No mercado de trabalho norueguês, a ideia predominante é trabalhar com eficiência dentro de um horário definido. Como Carla, uma espanhola residente na Noruega, descreve em um de seus vídeos do TikTok: "A maioria dos noruegueses tem o meu horário de trabalho perfeito, das 8h às 16h, porque isso lhes dá bastante tempo para atividades à tarde e para passar tempo com suas famílias."

Longe de prejudicar a economia, esse compromisso com o equilíbrio entre vida profissional e pessoal coexiste com alguns dos mais altos níveis de produtividade por hora trabalhada na Europa. Segundo dados da OCDE, os trabalhadores noruegueses acumulam 1.412 horas de trabalho por ano, em comparação com a média da OCDE de 1.740. Enquanto isso, a taxa de desemprego em 2025 foi projetada em torno de 4,7%, de acordo com dados do Eurostat.

Geração Z quer ir além

São justamente os trabalhadores mais jovens que mais questionam o modelo tradicional. De acordo com a pesquisa "Empowering Minds" da YouGov, a carga mental invisível derivada do planejamento, da antecipação e da coordenação, tanto no trabalho quanto em casa, pesa particularmente sobre as gerações mais jovens nos países nórdicos. Criada em ambientes hiperconectados, a Geração Z não vê a semana de quatro dias como um luxo, mas como a evolução lógica do trabalho inteligente. E eles têm argumentos para sustentar essa visão.

Uma pesquisa da Deloitte com mais de 23 mil jovens revela que o equilíbrio entre vida pessoal e profissional é a principal prioridade de carreira da Geração Z, acima da ascensão profissional, e que apenas 6% aspiram a um cargo de liderança como objetivo principal. Para esta geração, trabalhar bem não é sinônimo de trabalhar mais.

O modelo nórdico tem falhas

O problema é que esse modelo, apesar de suas virtudes, não conseguiu proteger os trabalhadores noruegueses do estresse. Notificações fora do horário de expediente e mensagens instantâneas corroeram os limites que a cultura de trabalho norueguesa havia construído com tanto cuidado, e o número de licenças médicas por problemas de saúde mental continua aumentando, de acordo com os registros oficiais.

É nesse contexto que a semana de trabalho de quatro dias deixa de ser uma reivindicação sindical e se torna uma alternativa viável a ser considerada. Se ter uma jornada de trabalho mais curta do que a média já melhora o bem-estar dos noruegueses, reduzir a jornada em um dia inteiro pode ser a alavanca que a Noruega precisa para deter o declínio da saúde mental de seus trabalhadores.

Produtividade e bem-estar em Quatro Dias

Em 2024, foi lançado o primeiro programa piloto norueguês para uma semana de trabalho de quatro dias. Onze empresas de setores tão diversos como hospitais, serviços municipais e consultorias participaram, durante seis meses, do modelo 100:80:100 (100% do salário, trabalhando 80% do tempo, com o objetivo de manter 100% de produtividade). Esse mesmo modelo foi adotado por outros projetos de jornada de trabalho de quatro dias ao redor do mundo, incluindo o de Valência, em 2023.

O experimento norueguês foi monitorado pela consultoria The Rework, em colaboração com a Universidade de Karlstad e o Boston College. Os resultados, compilados no relatório oficial recém-publicado, mostram que esse modelo de trabalho combina o melhor dos dois mundos. O estresse foi reduzido em 19%, os participantes passaram a dormir 7 horas por noite em vez de 6,6, e a satisfação com o tempo para atividades pessoais aumentou em 44%.

Tudo isso ocorreu enquanto a produtividade percebida aumentava em 13%. Das dez empresas participantes que compartilharam seus resultados de negócios, cinco relataram melhorias, e as outras cinco mantiveram os mesmos níveis de produtividade e lucros de antes do experimento. Em outras palavras, nenhuma delas experimentou uma queda no desempenho após a redução da jornada de trabalho. Aliás, os resultados foram tão satisfatórios que dez das onze empresas decidiram continuar com a semana de trabalho reduzida após o término do teste.

Imagens | Unsplash (Julian Zwengel, Jopopz Tallorin)

Inicio