De modo geral, um carro zero-quilômetro tende a valer mais do que um usado da mesma categoria. Afinal, a depreciação e desvalorização faz parte do ciclo natural de qualquer veículo. No entanto, alguns modelos passaram a seguir um caminho diferente nos últimos anos, como acontece com o Fiat Toro.
Em alguns casos, unidades do veículo com quilometragem praticamente zerada estão sendo anunciadas por cerca de R$83 mil, um valor superior aos R$76 mil cobrados quando o modelo foi lançado em 2016. Mas como será que isso é possível? A resposta está em uma combinação de fatores, como inflação, alta dos preços dos carros novos e mudanças no comportamento do mercado brasileiro.
O Fiat Toro é só um exemplo de uma mudança muito maior no mercado brasileiro
Quando o Fiat Toro chegou às concessionárias em 2016, o valor de entrada custava cerca de R$76 mil. Quase dez anos depois, encontrar uma unidade desse mesmo ano, com baixíssima quilometragem, por aproximadamente R$83 mil, pode causar estranheza. No entanto, essa valorização faz sentido quando se observa o que aconteceu com o mercado automotivo brasileiro, especialmente com os preços dos veículos zero-quilômetro.
Nos últimos anos, comprar um carro novo ficou significativamente mais caro. A inflação acumulada, a valorização do dólar, o aumento dos custos de produção e a incorporação de novas tecnologias aumentaram significativamente os preços. Com isso, os modelos usados também passaram a ser mais valorizados do que anteriormente. Ou seja, o carro antigo não ficou necessariamente "mais caro" por si só. O que aconteceu foi que o veículo novo se distanciou tanto em preço que o usado acabou acompanhando essa valorização.
Basta comparar os valores do Fiat Toro: se em 2016 a picape estreou custando cerca de R$76 mil, hoje um modelo 2027 zero-quilômetro pode ultrapassar os R$135 mil, dependendo da versão. Nesse contexto, um modelo antigo, mas extremamente conservado e com baixíssima quilometragem, acaba parecendo uma alternativa mais atraente financeiramente, e isso ajuda a explicar por que o preço de veículos usados no mercado subiu.
Além dessa questão, outro fator contribuiu para essa realidade: a falta de componentes eletrônicos durante a pandemia. A escassez de chips reduziu a produção de carros novos em todo o mundo, aumentou o tempo de espera nas concessionárias e levou muitos consumidores a buscar um novo veículo no mercado de usados/seminovos, impulsionando ainda mais os preços.
O detalhe que faz alguns carros usados valerem muito mais do que deveriam
Lançado em 2016 por cerca de R$76 mil, o Fiat Toro pode hoje ser encontrado por valores superiores quando tem baixíssima quilometragem
Além da alta dos carros novos, existe um detalhe que faz alguns veículos escaparem da depreciação: a raridade. Encontrar um Fiat Toro 2016 com apenas cerca de 100 quilômetros rodados é muito difícil. Afinal, trata-se de um veículo com mais de 10 anos, mas praticamente novo em condições de uso. Esse tipo de unidade desperta o interesse tanto de compradores quanto de colecionadores e pessoas que buscam um carro sem desgaste significativo. Nesses casos, o valor pode até ultrapassar a Tabela Fipe, que representa uma média de mercado e nem sempre reflete situações muito específicas, como veículos extremamente conservados ou com quilometragem excepcionalmente baixa.
Outro ponto que pesa na decisão de compra é a praticidade. Dependendo da negociação, um seminovo já pode estar com documentação regularizada, licenciamento quitado e disponível para entrega imediata, enquanto alguns modelos novos enfrentam prazos de espera ou custos adicionais. Ou seja, o Fiat Toro não ficou "mais valioso" do que era quando saiu da fábrica. O que mudou foi o contexto do mercado
Ver 0 Comentários