Quando o preço do petróleo dispara por causa de uma guerra, os governos buscam formas de reduzir seu consumo. Isso não é novidade. De fato, já aconteceu com a crise do petróleo de 73 e está se repetindo com a guerra entre Irã, Israel e Estados Unidos.
Uma das medidas mais rápidas costuma ser fazer com que as pessoas deixem de se deslocar até o trabalho. O que está acontecendo agora traz um certo déjà vu de 2020, com a diferença de que o motivo não é um vírus, mas sim uma crise energética, e o objetivo é economizar energia.
Dada sua maior dependência do petróleo iraniano, os primeiros movimentos vieram do sudeste asiático. O primeiro-ministro da Malásia, Anwar Ibrahim, anunciou que os funcionários ligados ao governo implementarão o trabalho remoto para reduzir o consumo de combustível.
As Filipinas optaram por reduzir a semana de trabalho para quatro dias para os funcionários do Executivo, com o mesmo objetivo. A medida tem um precedente em 1990, quando o país viveu uma situação semelhante à atual durante a Guerra do Golfo. Sri Lanka e Paquistão também anunciaram a semana de quatro dias em suas repartições públicas e países como Vietnã e Tailândia recomendaram explicitamente o teletrabalho para reduzir deslocamentos desnecessários.
A Agência Internacional de Energia recomenda o trabalho remoto
A Agência Internacional de Energia publicou um documento com medidas para reduzir o impacto do aumento nos preços da energia. O teletrabalho lidera essa lista por seu efeito direto sobre o consumo de combustível nos deslocamentos diários.
A recomendação do organismo energético para reduzir o volume de deslocamentos não é trivial: o relatório afirma que "três dias adicionais de teletrabalho, para aqueles que puderem adotá-lo, poderiam reduzir o consumo de petróleo dos automóveis entre 2% e 6%, com reduções médias potenciais de cerca de 20% para os motoristas individuais".
Na Espanha, o governo aprovou em 20 de março o decreto-lei que coloca em prática o “Plano Integral de Resposta à Crise no Oriente Médio”, com uma mobilização de 5 bilhões de euros. Uma das medidas incluídas nesse plano é antecipar a entrada em vigor dos planos de mobilidade previstos na Lei de Mobilidade Sustentável, que já havia sido aprovada, reduzindo o prazo de 24 para 12 meses.
Essa Lei de Mobilidade prevê a obrigação, para empresas com 200 funcionários ou mais (ou turnos com mais de 100 funcionários), de criar planos de mobilidade sustentável que devem incluir medidas para reduzir deslocamentos por meio de mobilidade ativa, estimular a adoção do transporte coletivo e oferecer opções de teletrabalho nos cargos que permitirem.
Imagem | Freepik, Unsplash (Jan Baborák)
Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.
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