Embora a taxa de teletrabalho na Espanha tenha dobrado desde 2019, nos últimos dois anos ela ficou estagnada em torno de 14%. O retorno aos escritórios, impulsionado pelas empresas, fez com que a jornada híbrida ganhasse espaço, enquanto os regimes 100% remotos estão em retração.
No entanto, segundo um relatório recente do National Bureau of Economic Research (NBER), no futuro não muito distante, essa situação voltará a pender para os modelos de trabalho remoto. Em específico, o relatório aponta essa mudança para o momento em que se aposentarem os atuais CEOs da geração baby boomer.
De acordo com o estudo, trabalhadores de empresas criadas depois de 2015 permitem, em média, 27% mais dias de teletrabalho do que aquelas empresas fundadas antes de 1990. Por sua vez, profissionais autônomos trabalham de casa com mais do que o dobro da frequência em comparação com os demais trabalhadores.
Os pesquisadores da Universidade de Stanford observaram um padrão nos dados de 8.000 trabalhadores estadunidenses entre 20 e 64 anos, entrevistados mensalmente durante 2025. As empresas novas costumam adotar tecnologias e formas de trabalho que facilitam o trabalho remoto desde o início. À medida que envelhecem, a possibilidade de teletrabalho vai sendo reduzida progressivamente.
A idade do chefe faz diferença
O estudo encontrou uma relação direta entre a idade do CEO da empresa e o número de dias de teletrabalho permitidos aos funcionários. Quanto mais jovem o CEO, mais dias por semana eram permitidos para trabalhar remotamente.
Os dados mostram uma queda clara nos dias obrigatórios de presença no escritório à medida que diminui a idade do executivo. Isso sugere que dirigentes mais jovens encaram o teletrabalho como algo natural, e não como um esforço extra que atrasa o desempenho diário. “Os funcionários trabalham remotamente com maior frequência em empresas com diretores executivos mais jovens”, destacam os autores do estudo.
Segundo os pesquisadores, à medida que executivos boomers e da geração X se aposentarem ao longo da próxima década, millennials e integrantes da geração Z assumirão seus postos. Isso fará com que o teletrabalho volte a ser a norma, e não a exceção, apesar de as políticas atuais de grandes empresas de tecnologia como Amazon ou JPMorgan exigirem cinco dias por semana no escritório.
O estudo do NBER conclui que essa tendência pode marcar um ponto de inflexão na hora de mudar de emprego para aqueles que não querem esperar que seus chefes se aposentem para trabalhar mais dias de casa: se você quer trabalhar de casa por mais dias, priorize empresas jovens com chefes jovens.
Conforme destaca a Fortune, os CEOs mais jovens não apenas são mais conscientes da importância da flexibilidade de horário e do teletrabalho para o bem-estar dos funcionários, como também se formaram e desenvolveram suas empresas utilizando ferramentas como Slack, Zoom e inteligência artificial desde o início. Isso gera empresas nativas digitais por natureza, nas quais o trabalho remoto e o presencial utilizam as mesmas ferramentas e processos.
Mark Dixon, diretor-executivo da plataforma de coworking International Workplace Group (IWG), afirmou em entrevista à Fortune que “adotar a tecnologia de forma integral, o que inclui trabalho flexível, localização remota, altos níveis de tecnologia e usar a tecnologia para tirar o máximo proveito do seu pessoal — essas serão as empresas vencedoras, porque o foco está nas pessoas”.
Imagem | Unsplash (Redmind Studio)
Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.
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