Enquanto a missão Artemis II visa levar humanos de volta à Lua após mais de meio século, as agências espaciais continuam a investigar como alcançar outros planetas, e a robótica espacial é essencial para isso porque, bem, o espaço em geral, e lugares como Marte, são extremamente inóspitos à vida.
Assim, um grupo de pesquisa europeu, que inclui a Agência Espacial Europeia, entre outras entidades, introduziu um sistema robótico autônomo dentro de um tubo de lava vulcânica em Lanzarote, conforme detalhado neste artigo publicado na revista Science Robotics. Suas descobertas nos aproximam de uma futura colonização da Lua ou de Marte.
Contexto
Nem Marte, nem a Lua possuem uma superfície plana e desértica; em vez disso, são mundos vulcânicos com cavidades subterrâneas formadas há milhões de anos por lava derretida. E não estamos falando de pequenas cavidades: há espaço suficiente para uma cidade, visto que a baixa gravidade permite que as cavidades tenham quilômetros de extensão, como explica este estudo.
Túneis de lava estão presentes na Lua, em Marte e também na Terra. Podemos encontrar alguns exemplos no Havaí e nas Ilhas Canárias, precisamente onde a pesquisa foi realizada: o tubo de lava La Corona, em Lanzarote, possui seções que chegam a 30 metros de largura e altura — é uma caverna do tamanho de uma catedral.
Por que isso é importante?
Porque o ambiente espacial é hostil: há temperaturas extremas, radiação e chuvas de meteoritos, uma combinação brutal que dificulta a existência de vida, ou mesmo o estabelecimento de uma base para a civilização humana. Por outro lado, se ainda existirem vestígios de vida ou água congelada, essas cavernas são o local ideal para procurá-los.
Essas estruturas são estratégicas porque atuam como um escudo natural contra a radiação ionizante, fluxos de calor extremos e meteoritos. Assim, a próxima geração de robôs terá a missão de explorar esses tubos de lava subterrâneos em Marte e na Lua para estudar suas condições.
O experimento de Lanzarote
Quem já visitou Lanzarote sabe que a cidade possui paisagens que parecem ter saído do espaço sideral. Aqui se encontra o túnel de lava La Corona, e três robôs diferentes, com funções distintas, iniciaram sua missão de caracterização sem GPS ou luz solar:
- O robô de observação permanece do lado de fora, mapeando a entrada;
- O explorador: essencialmente um cubo repleto de câmeras que é baixado para dentro do túnel para ser o primeiro a observar;
- O espeleólogo, que desce de rapel na escuridão a 235 metros de profundidade.
A descoberta
Criar um mapa 3D em movimento era apenas um dos objetivos desta missão, liderada tecnicamente pelo Centro Alemão de Pesquisa em Inteligência Artificial. Mas o "quê" é tão importante quanto o "como": os robôs não eram controlados remotamente, mas operavam de forma autônoma, tomando suas próprias decisões em tempo real. Seu desempenho em tarefas colaborativas é crucial, visto que os sinais de rádio levam minutos para chegar à Terra no espaço.
Primeiro Lanzarote, depois Marte
O teste de robótica espacial heterogênea e cooperativa foi um sucesso, embora ainda haja espaço para melhorias em relação à navegação sem luz e à forma como os sensores respondem a interferências ambientais.
Imagem de capa | dfki
Ver 0 Comentários