Seu cachorro fica descontrolado toda vez que vê você sair de casa; mas a ciência tem uma solução

Animais machos ou provenientes de abrigos têm maior probabilidade de sentir ansiedade quando estão sozinhos

Animais machos ou provenientes de abrigos têm maior probabilidade de sentir ansiedade quando estão sozinhos.
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Fabrício Mainenti

Redator

Quem tem um cachorro de estimação certamente já se deparou com um grande problema ao pegar as chaves e o casaco e sair de casa. Trata-se do choro e da agitação do animal seguindo o dono, o que pode terminar em latidos ou até mesmo na destruição de algo pela casa, devido ao estresse de ser deixado sozinho e, em sua mente, "abandonado". No entanto, a ciência sugere que essa ansiedade de separação é um fenômeno de mão dupla.

De duas maneiras

Como explicam diversos textos, deixar nosso animal de estimação sozinho não só desencadeia um pico de estresse no animal, como também gera um profundo sentimento de culpa e ansiedade no humano. E não, não se trata de humanizar demais nossos cães; trata-se de que nossos cérebros e os deles desenvolveram um vínculo afetivo comparável ao de relacionamentos interpessoais.

Não tem a ver com a criação

Um equívoco comum é achar que, quando um cachorro sente ansiedade quando seu dono sai, por exemplo, para o trabalho, isso é resultado de uma criação muito permissiva, sem restrições impostas ao animal. Mas hoje, isso mudou, graças a dados significativos.

Esses dados provêm de um amplo estudo publicado em 2020 sobre a população canina na Finlândia, que revelou que entre 14% e 20% dos cães sofrem de ansiedade de separação e frequentemente demonstram um forte medo de outros fatores estressantes, como ruídos altos.

Por que eles fazem isso?

Não se trata de vingança ou raiva generalizada por serem deixados sozinhos; em vez disso, esse comportamento está ligado a padrões de frustração e pânico. Além disso, existem alguns fatores que predispõem os animais a esses problemas, como ser macho, vir de um abrigo, ter sido desmamado precocemente ou enfrentar um ambiente imprevisível.

Nos humanos

Focar apenas na reação do animal é uma grande simplificação. A ciência mostrou que os donos também sentem estresse, têm dificuldade de concentração no trabalho e até cancelam compromissos sociais para evitar a ansiedade de deixar seus animais de estimação sozinhos.

É aqui que entra em jogo o vínculo que se desenvolve entre humanos e animais, um vínculo de apego semelhante ao de um pai com seu recém-nascido. As pessoas que desenvolvem um "apego ansioso" aos seus animais de estimação são justamente aquelas que experimentam níveis mais elevados de ansiedade quando separadas deles, bem como sintomas depressivos e somáticos muito mais graves quando o animal morre ou não está mais presente.

A solução?

Um dos pontos-chave, neste caso, reside em ensinar ao cérebro do cão que "sinais de saída", como pegar as chaves ou calçar os sapatos, não significam necessariamente o fim do mundo, praticando essas ações sem sair de casa.

Mas também é importante lembrar que, ao voltar para casa, não se deve fazer uma grande festa para compensar a culpa, pois isso só confirma para o cão que a sua ausência foi uma experiência terrível que finalmente terminou. Por isso, o reencontro deve ser tratado como algo normal, mesmo depois de apenas algumas horas de separação.

Imagens | Wade Austin Ellis


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