Um pequeno vilarejo na China está sendo usado para testes de vigilância do povo

Comunidade das Ilhas Salomão virou teste para o sistema de vigilância da China

Ilhas Salomao
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Laura Vieira

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Laura Vieira

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Jornalista recém-formada, com experiência no Tribunal de Justiça, Alerj, jornal O Dia e como redatora em sites sobre pets e gastronomia. Gosta de ler, assistir filmes e séries e já passou boas horas construindo casas no The Sims.

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Uma comunidade tranquila das Ilhas Salomão, no Pacífico, acabou se tornando um “experimento” com forte policiamento, vigilância e influência geopolítica chinesa. O inicio dessa história começou quando moradores da vila de Fighter One pediram ajuda para lidar com jovens considerados problemáticos que frequentavam a região durante a noite. A polícia chinesa, por outro lado, sugeriu um sistema de monitoramento comunitário com coleta de dados pessoais, impressões digitais e vigilância entre vizinhos. O caso problema é que a iniciativa rapidamente levantou preocupações sobre privacidade, controle social e o avanço do modelo de segurança chinês

“BBB” chinês? O sistema que incentiva vizinhos a vigiarem uns aos outros

O projeto apresentado em Fighter One tinha como base a “Experiência Fengqiao”, um modelo criado durante a era Mao Tsé-Tung e retomado pelo governo Xi Jinping nos últimos anos. A ideia do “experimento” é transformar a própria população em uma rede permanente de vigilância. Isso significa que moradores seriam incentivados a monitorar atividades suspeitas na vizinhança, registrar informações sobre famílias e compartilhar dados com as autoridades. A proposta incluía fichas detalhadas com nomes, endereços e datas de nascimento dos moradores, além da possibilidade de coleta biométrica, como impressões digitais e registros palmares.

O modelo lembra o funcionamento de sistemas de controle social já utilizados dentro da China. Em regiões consideradas “sensíveis”, como Xinjiang, autoridades chinesas utilizam câmeras com inteligência artificial, bancos de dados biométricos e classificações de risco para acompanhar os cidadãos em tempo real. O objetivo oficial é combater crimes e manter a ordem pública, mas muitos acreditam que o sistema funciona como uma ferramenta de controle político e repressão social.

É por isso que a ideia de implementar esse controle na vila de Fighter Oneg gerou desconforto imediato. Políticos locais e analistas australianos alertaram que as Ilhas Salomão poderiam acabar se tornando um campo de testes para tecnologias e estratégias autoritárias de vigilância.

A influência chinesa já mudou a geopolítica da região

A vila Fighter One não é a única que está sofrendo com esse modelo de segurança chinês. As Ilhas Salomão vêm se tornando, aos poucos, um dos pontos mais estratégicos da influência da China no Pacífico desde 2019, quando o país rompeu relações diplomáticas com Taiwan e passou a reconhecer oficialmente o páis. A China passou a financiar obras, enviar equipamentos, investir em mineração e integrar policiais chineses às forças de segurança locais. Após os violentos protestos de 2021 em Honiara, capital do país, o governo assinou um pacto de segurança com a China.

Trechos vazados do acordo indicam que a China pode enviar policiais, militares e forças de segurança às ilhas sempre que houver ameaças à ordem social. Desde então, o país asiático também passou a doar equipamentos antimotim, veículos policiais, lanchas rápidas e sistemas de treinamento para a polícia local. Ao mesmo tempo, a China vem exportando seu modelo de segurança para outros países da África, Ásia e Pacífico.


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