Há 12 anos em projeto, o tanque de guerra definitivo não sai do papel porque França e Alemanha estão em conflito

Mais do que um simples tanque, ele é concebido como uma plataforma integrada que incluirá veículos autônomos, sistemas de armas avançados e capacidades de guerra em rede

Tanque MGCS
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Victor Bianchin

Redator
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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

2002 publicaciones de Victor Bianchin

Há anos ele está em pauta: um carro de combate europeu e poderoso, com França e Alemanha como idealizadoras. Trata-se do MGCS (Sistema Principal de Combate Terrestre), um projeto conjunto no qual a KNDS, fornecedora-chave tanto para o Exército alemão quanto para o francês, está no centro da controvérsia.

Mas o desenvolvimento de uma plataforma terrestre comum está preso em um vazio operacional, industrial e diplomático: nem França nem Alemanha conseguem chegar a um acordo para torná-lo realidade.

MGCS, o futuro da guerra terrestre na Europa

O MGCS é um projeto lançado em 2017 por França e Alemanha para desenvolver a próxima geração de sistemas de combate terrestre, concebido como um “sistema de sistemas” que integrará veículos tripulados e autônomos, sensores avançados e capacidades de comando e controle. Segundo François Groshany, chefe dos programas de veículos blindados e de esteiras da Nexter, a vantagem do tanque está na combinação do chassi do Leopard 2, de “altíssima capacidade”, com a torre do Leclerc, mais leve.

Seu objetivo é substituir os atuais tanques de batalha Leopard 2, da Alemanha, e Leclerc, da França. Mais do que um simples tanque, ele é concebido como uma plataforma integrada que incluirá veículos autônomos, sistemas de armas avançados e capacidades de guerra em rede. E, para torná-lo realidade, foi criada conjuntamente a KNDS, o maior consórcio de fabricação de tanques da Europa (formado pela francesa Nexter e pela alemã KMW).

O projeto é desenvolvido em várias etapas:

  1. Fase de demonstração tecnológica: 2020-2024.
  2. Fase de demonstração do sistema completo: 2024-2028.
  3. Fase de implementação e produção: 2028-2035.
  4. Implantação inicial: prevista para 2035.
  5. Capacidade operacional plena: entre 2040 e 2045.

Os problemas 

Se esse carro de combate definitivo ainda não se materializou — algo que deveria ter acontecido há uma década — isso se deve, entre outros fatores, a conflitos trabalhistas sobre a divisão do trabalho, desacordos em relação aos requisitos operacionais e obstáculos burocráticos.

Inicialmente sob controle francês, a divisão acionária da nova empresa foi estruturada para que Alemanha e França fossem representadas em partes iguais na área industrial do programa: as filiais alemã e francesa da KNDS terão 25% cada da nova companhia (50% no total), enquanto a Rheinmetall ficará com outros 25% e a Thales com os 25% restantes, embora a sede fique localizada em Colônia, na Alemanha.

O choque industrial e de liderança tem sido um dos principais obstáculos. Enquanto a França quer proteger sua indústria, a Alemanha promove seus próprios projetos, como o Panther KF-51.

As diferenças também são estratégicas. Enquanto a Alemanha tende a priorizar uma implantação rápida e vendas em massa para terceiros países, a França mantém políticas restritivas e focadas na soberania militar nacional, o que dificulta chegar a um acordo sobre como o veículo será vendido e mantido no futuro.

Imagens | Defensie, Synne Nilsson, KNDS

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


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