Há anos ele está em pauta: um carro de combate europeu e poderoso, com França e Alemanha como idealizadoras. Trata-se do MGCS (Sistema Principal de Combate Terrestre), um projeto conjunto no qual a KNDS, fornecedora-chave tanto para o Exército alemão quanto para o francês, está no centro da controvérsia.
Mas o desenvolvimento de uma plataforma terrestre comum está preso em um vazio operacional, industrial e diplomático: nem França nem Alemanha conseguem chegar a um acordo para torná-lo realidade.
MGCS, o futuro da guerra terrestre na Europa
O MGCS é um projeto lançado em 2017 por França e Alemanha para desenvolver a próxima geração de sistemas de combate terrestre, concebido como um “sistema de sistemas” que integrará veículos tripulados e autônomos, sensores avançados e capacidades de comando e controle. Segundo François Groshany, chefe dos programas de veículos blindados e de esteiras da Nexter, a vantagem do tanque está na combinação do chassi do Leopard 2, de “altíssima capacidade”, com a torre do Leclerc, mais leve.
Seu objetivo é substituir os atuais tanques de batalha Leopard 2, da Alemanha, e Leclerc, da França. Mais do que um simples tanque, ele é concebido como uma plataforma integrada que incluirá veículos autônomos, sistemas de armas avançados e capacidades de guerra em rede. E, para torná-lo realidade, foi criada conjuntamente a KNDS, o maior consórcio de fabricação de tanques da Europa (formado pela francesa Nexter e pela alemã KMW).
O projeto é desenvolvido em várias etapas:
- Fase de demonstração tecnológica: 2020-2024.
- Fase de demonstração do sistema completo: 2024-2028.
- Fase de implementação e produção: 2028-2035.
- Implantação inicial: prevista para 2035.
- Capacidade operacional plena: entre 2040 e 2045.
Os problemas
Se esse carro de combate definitivo ainda não se materializou — algo que deveria ter acontecido há uma década — isso se deve, entre outros fatores, a conflitos trabalhistas sobre a divisão do trabalho, desacordos em relação aos requisitos operacionais e obstáculos burocráticos.
Inicialmente sob controle francês, a divisão acionária da nova empresa foi estruturada para que Alemanha e França fossem representadas em partes iguais na área industrial do programa: as filiais alemã e francesa da KNDS terão 25% cada da nova companhia (50% no total), enquanto a Rheinmetall ficará com outros 25% e a Thales com os 25% restantes, embora a sede fique localizada em Colônia, na Alemanha.
O choque industrial e de liderança tem sido um dos principais obstáculos. Enquanto a França quer proteger sua indústria, a Alemanha promove seus próprios projetos, como o Panther KF-51.
As diferenças também são estratégicas. Enquanto a Alemanha tende a priorizar uma implantação rápida e vendas em massa para terceiros países, a França mantém políticas restritivas e focadas na soberania militar nacional, o que dificulta chegar a um acordo sobre como o veículo será vendido e mantido no futuro.
Imagens | Defensie, Synne Nilsson, KNDS
Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.
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