Boa parte do combustível de uma nave espacial é consumida nas manobras para sair da órbita terrestre. Por esse motivo, à medida que as missões tripuladas vão se afastando do nosso planeta, precisamos começar a pensar em usar postos de combustível espaciais. Não se tratam de bombas flutuando no espaço, mas de satélites — ou até mesmo naves — capazes de transferir combustível para outra nave que precise viajar mais longe.
Por enquanto, esse é um dos pontos fracos de muitas missões, por isso é importante começar a desenvolver tecnologias que permitam isso. A NASA, consciente desse problema, vai lançar neste ano a LOXSAT, uma missão que testará 11 tecnologias diferentes para garantir a transferência de propelentes.
A LOXSAT é uma missão da NASA em colaboração com a Eta Space. O objetivo é testar diferentes tecnologias criogênicas de gerenciamento de fluidos para que, no futuro, possam ser criados depósitos de propelente no espaço. A missão permanecerá na órbita terrestre baixa durante nove meses. Enquanto isso, serão testadas 11 tecnologias focadas em atingir quatro objetivos: reduzir a ebulição, melhorar a transferência de propelente, manter a pressão estável e medir os níveis de propelente.
O grande problema
Propelentes criogênicos, como o oxigênio líquido em temperaturas extremamente baixas, são muito eficientes, mas possuem uma grande desvantagem. Em condições de microgravidade, quando ocorre a transferência entre naves, não é possível manter a temperatura suficientemente baixa, fazendo com que o combustível entre em ebulição e se transforme subitamente em gás. Isso causa um enorme aumento de pressão, que pode colocar em risco as naves envolvidas.
Esse problema é o que mais tem causado dores de cabeça para a SpaceX. Assim como a Blue Origin, a companhia precisa demonstrar sua capacidade de reabastecimento no espaço para poder participar das missões Artemis, mas isso não está sendo fácil. Esse é o motivo pelo qual a LOXSAT testará métodos para manter a pressão estável e reduzir a ebulição.
O objetivo dessa missão é aperfeiçoar a tecnologia para que, no futuro, existam depósitos fixos de propelente no espaço. Em outras palavras, espera-se que, conforme formos colonizando o espaço, possamos contar com essas estações para não ficar sem combustível.
O ideal seria que, no futuro, grandes naves pudessem trocar propelente entre si. Nenhuma agência espacial conseguiu algo assim até hoje. No entanto, a China já conseguiu isso com satélites em suas missões Shijian. Além disso, fizeram isso em uma órbita mais alta, então estão à frente da NASA nessa disputa particular que as duas travam há tanto tempo. Ainda assim, a China não testou propelentes criogênicos até o momento, mas sim o reabastecimento com hidrazina. Ainda há espaço para avanços.
A missão partirá a bordo de um foguete Electron, da Rocket Lab. O lançamento acontecerá no verão do hemisfério norte, não antes de 17 de julho, a partir da Nova Zelândia.
Imagens | NASA
Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.
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