Ia para o Reino Unido como 'enfeite de jardim', mas vale R$24 milhões: Rússia intercepta tesouro espacial de 4 bilhões de anos e 2,8 toneladas

Objeto enviado como decoração era, na verdade, um meteorito com  praticamente a mesma idade do Sistema Solar

Memteorito Alatai apreendido. Créditos:  Serviço Federal de Alfândega da Rússia
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Laura Vieira

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Laura Vieira

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Jornalista recém-formada, com experiência no Tribunal de Justiça, Alerj, jornal O Dia e como redatora em sites sobre pets e gastronomia. Gosta de ler, assistir filmes e séries e já passou boas horas construindo casas no The Sims.

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As alfândegas, também chamadas de aduanas, são responsáveis por fiscalizar tudo o que entra e sai de um país: documentos, valores declarados, origem da mercadoria, destino final e possíveis riscos estratégicos. Na maioria das vezes, o trabalho envolve cargas comuns. Mas, ocasionalmente, algo foge completamente do padrão.

Foi o que aconteceu no fim de janeiro de 2026, no porto de São Petersburgo, na Rússia. Durante uma inspeção de rotina em um contêiner marítimo com destino ao Reino Unido, agentes alfandegários se depararam com uma carga declarada como “escultura paisagística”. O problema é que o suposto ornamento de jardim pesava 2,8 toneladas, e, após análise técnica, revelou-se algo muito mais raro: um fragmento do meteorito Aletai, um dos maiores e mais valiosos meteoritos de ferro.

Meteorito gigantesco é interceptado por agentes alfandegários russos

Um “ornamento” pesado demais para passar despercebido chama a atenção da alfândega russa. Segundo o Serviço Federal de Alfândega da Rússia, a carga foi identificada durante inspeções detalhadas em um contêiner marítimo no porto de São Petersburgo. Embora a documentação apontasse o item como uma escultura decorativa de jardim, os agentes estranharam tanto o peso quanto a composição do objeto.

Uma perícia revelou que o material não tinha origem artística, mas científica. O “ornamento de jardim”, na verdade, era um fragmento do meteorito Aletai, classificado como siderita, um tipo raro de meteorito composto principalmente por ferro e níquel. Estima-se que o fragmento apreendido possa valer cerca de €3,6 milhões, o equivalente a mais de R$24 milhões, um valor alto justamente pela raridade e importância para pesquisas científicas.

Vídeos divulgados pela imprensa russa mostram agentes abrindo à força a caixa de transporte e encontrando a enorme rocha metálica, de superfície irregular e coloração acinzentada. Após encontrarem o meteorito, as autoridades abriram um processo criminal por contrabando de bens de importância estratégica ou patrimônio cultural, crime que pode resultar em até três anos de prisão.

Do espaço sideral para contrabando internacional: o que é o meteorito Aletai e por que ele é tão valioso

O fragmento de 2,8 toneladas interceptado pelos agentes russos não é valioso à toa: ele carrega bilhões de anos de história do Sistema Solar e metais preciosos que despertam interesse científico, mas também comercial. O meteorito Aletai foi descoberto em 1898 em  Xinjiang Uyghur, próximo às montanhas de Altai no norte da China, área que deu nome ao objeto. No entanto, não há registros do momento exato de sua queda, o que leva cientistas a acreditarem que o impacto tenha ocorrido ainda na pré-história.

De acordo com estudos citados por autoridades russas, o meteorito tem cerca de 4,5 bilhões de anos, praticamente a mesma idade do Sistema Solar. Ele seria um fragmento do núcleo de um protoplaneta ou de um grande asteroide que se desintegrou durante a formação dos planetas. 

Além do valor histórico, o Aletai se destaca pela composição química. Ele possui uma alta concentração de metais raros, como ouro e irídio, elementos que são considerados fundamentais para estudos sobre a origem da Terra e dos corpos celestes. Por isso, a comercialização privada desses fragmentos é criticada pela ciência, pois eles podem acabar fora do alcance da pesquisa acadêmica.

As autoridades russas afirmam que o meteorito teria sido importado anteriormente para o país a partir de um membro da Comunidade dos Estados Independentes (CEI), bloco de ex-repúblicas soviéticas. O destino final seria o Reino Unido, mas até agora não foram divulgados nem o nome do comprador nem quem tentou realizar a exportação. 

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