A Anthropic começou o Super Bowl atacando a OpenAI com anúncios que mostram terapeutas virtuais inserindo anúncios de aplicativos de namoro e personal trainers vendendo saltos para homens baixos. A mensagem: "Anúncios estão chegando à IA. Mas não ao Claude" ("Anúncios estão chegando à IA. Mas não ao Claude").
Sam Altman respondeu no X chamando-os de "desonestos" e acusando-os de "duplipensar", embora uma tradução mais adequada pudesse ser "linguagem enganosa" ou simplesmente "hipocrisia".
Parece uma pequena batalha, a de dois rivais brigando por um anúncio, mas por trás disso, há uma questão bilionária: Que tipo de negócio será a IA quando estiver consolidada?
A história da internet pode ser resumida em dois modelos principais:
- Um gratuito, sustentado por publicidade: Google, Facebook, YouTube, Instagram, TikTok... independentemente de terem versões premium.
- Outro, baseado em pagamento direto por assinatura: Netflix, DAZN, Disney+, Apple Music, PSN...
O primeiro aspira a maximizar a audiência, o segundo aspira a maximizar a receita por usuário. A IA está, neste momento, decidindo qual dos dois caminhos seguirá.
A OpenAI já optou por colocar anúncios em contas gratuitas do ChatGPT e está começando a testá-los. Altman justifica a decisão com o argumento clássico da democratização: "Mais texanos usam o ChatGPT gratuitamente do que o número total de usuários do Claude nos Estados Unidos". Em outras palavras, eles querem alcançar os bilhões de pessoas que não vão pagar US$ 20 por mês. E para isso, precisam de publicidade.
Anthropic escolhe caminho oposto
"A Anthropic oferece um produto caro para pessoas ricas", criticou Altman. De certa forma, é verdade: o Claude aposta principalmente em contratos com empresas e assinaturas premium de US$ 20, US$ 100 e US$ 200 por mês.
O modelo deles depende de a IA ser valiosa o suficiente para que você pague por ela. E assim, você acaba olhando de vez em quando para o plano mais caro, com a tentação de subir mais um degrau. Sem publicidade, sem links patrocinados e sem respostas influenciadas por anunciantes.
A diferença não está apenas no negócio, mas no produto. Uma IA com publicidade tem incentivos diferentes de uma sem publicidade.
- O que acontece quando você pergunta ao assistente qual carro comprar e há um fabricante pagando para aparecer nas respostas?
- E quanto a conselhos médicos, financeiros ou jurídicos?
A OpenAI prometeu que "os anúncios não influenciam as respostas". Foi o que disseram, mas essa promessa se tornará cada vez mais difícil de sustentar à medida que a pressão da monetização aumenta.
A IA Anthropic tem seu próprio problema: se atingir apenas aqueles que podem pagar, ela se torna uma ferramenta para as elites. Uma tecnologia que promete democratizar o conhecimento acaba reproduzindo as divisões de classe já existentes. Vimos isso acontecer com o surgimento dos planos de US$ 200 para acessar a elite da IA. Uma lacuna que cria outra lacuna.
O paralelo com a história da internet é inevitável. As redes sociais gratuitas conquistaram (quase) todos nós na década de 1910, mas em troca construíram máquinas de vigilância publicitária otimizadas para engajamento, não para o bem-estar de ninguém. Os serviços pagos são mais limpos, mas também mais excludentes.
A IA chegou a um ponto de encruzilhada:
- A OpenAI se compromete a ser o YouTube da IA: gratuita para todos, financiada por anúncios e com versões premium para quem quiser pagar.
- A Anthropic quer ser a Netflix: melhor experiência e sem anúncios, mas apenas para quem paga. É verdade que mantém um plano gratuito, mas suas limitações são um convite constante para desistir ou abandonar a plataforma.
E agora, que tipo de relação teremos com essas máquinas que sabem cada vez mais sobre nós e das quais pedimos cada vez mais? Serão serviços que nos servem ou plataformas que nos monetizam?
Imagem | Anthropic
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