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O Tinder tentou destruí-la, mas ela deu o troco: criou o rival 'perfeito' e se tornou bilionária

Whitney Wolfe Herd ajudou a criar o Tinder, foi silenciada e respondeu fundando o aplicativo Bumble

Whitney Wolfe Herd para a revista Woman Magzine. Créditos: WomanMagzine
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Laura Vieira

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Laura Vieira

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Jornalista recém-formada, com experiência no Tribunal de Justiça, Alerj, jornal O Dia e como redatora em sites sobre pets e gastronomia. Gosta de ler, assistir filmes e séries e já passou boas horas construindo casas no The Sims.

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O Tinder é hoje um dos aplicativos de relacionamento mais populares do mundo. De acordo com dados da DemandSage, a plataforma reúne mais de 75 milhões de usuários ativos por mês. Mas por trás de toda essa popularidade, existe uma história muito menos conhecida, marcada por disputas internas, assédio, silenciamento e uma batalha judicial que expôs como ambientes tóxicos ainda são comuns na indústria de tecnologia, especialmente para as mulheres.

Em 2012, no auge da expansão do aplicativo, Whitney Wolfe Herd era uma das jovens executivas responsáveis por impulsionar o crescimento da plataforma nos Estados Unidos. Dois anos depois, em 2014, ela deixaria a empresa em meio a acusações de assédio sexual, discriminação e retaliação, dando início a um processo na justiça que repercutiu internacionalmente. O caso terminou com um acordo extrajudicial, mas acabou se tornando o ponto de partida para a criação do Bumble, um dos principais concorrentes do próprio Tinder.

Whitney Wolfe Herd ajudou a construir o Tinder, mas foi retirada de cena após conflitos internos e denúncias de assédio 

O Tinder não foi o primeiro aplicativo de relacionamento a existir no mundo, mas pode-se dizer que ele foi o primeiro a realmente dar match com o público. Em poucos anos, a combinação de simplicidade, alcance e timing transformou o app em um dos maiores fenômenos do mercado de tecnologia. Mas o que quase ninguém via naquele momento é que,por trás do crescimento acelerado, se formava um ambiente interno marcado por disputas, tensões e conflitos, uma realidade que mais tarde colocaria o nome do aplicativo no centro de uma grande polêmica.

Isso porque o avanço do Tinder esteve diretamente ligado ao trabalho de Whitney Wolfe Herd. Ainda na fase inicial da empresa, ela atuou como vice-presidente de marketing e teve papel decisivo na construção da marca. Foi Whitney quem defendeu a mudança de nome de Matchbox para Tinder e liderou uma estratégia agressiva de expansão em universidades, apostando em ações presenciais, festas estudantis e divulgação direta para criar interação entre jovens e acelerar o acolhimento do aplicativo.

Nesse mesmo período, Whitney iniciou um relacionamento com Justin Mateen, um dos cofundadores da empresa. O fim da relação marcou um ponto de ruptura. Segundo a ação judicial apresentada anos depois, ela passou a ser alvo de uma campanha sistemática de assédio sexual, insultos e descredibilização profissional dentro do próprio Tinder, o que fez com que ela pedisse demissão da empresa.

A situação se agravou quando seu papel como cofundadora começou a ser minimizado publicamente. Em 2014, após denunciar o ambiente tóxico, Whitney deixou o Tinder e entrou com uma ação judicial detalhando cerca de 18 meses de assédio. O caso foi encerrado fora dos tribunais, com um acordo de US$1 milhão, que incluiu uma cláusula de confidencialidade. Apesar disso, documentos do processo vazaram e acabaram alimentando uma onda de ataques na internet contra sua credibilidade, enquanto ela permanecia legalmente impedida de se defender.

Assédio e silêncio forçado marcaram a saída de Whitney Wolfe Herd do Tinder

Bumble aberto no celular Diferente do Tinder, no Bumble, apenas mulheres poderiam iniciar a conversa em conexões heterossexuais. Créditos:ShutterStock

Quando saiu do Tinder, Whitney Wolfe Herd enfrentou um período de forte exposição negativa. Nas redes sociais e em veículos de imprensa, passou a ser retratada como oportunista ou mentirosa, uma narrativa comum em casos envolvendo mulheres que denunciam abusos em ambientes corporativos dominados por homens.

Foi nesse contexto que surgiu uma nova oportunidade. Em conversa com Andrey Andreev, fundador do Badoo, Herd recebeu a proposta de criar um novo aplicativo de relacionamentos. Ela aceitou com uma condição inegociável: o produto precisaria romper com a lógica que havia normalizado comportamentos abusivos em outras plataformas. Isso significava romper com um modelo que dava liberdade total aos homens para iniciar conversas, o que acabava normalizando assédio e comportamentos abusivos.

Assim nasceu o Bumble, lançado no fim de 2014, com uma regra simples: em conexões heterossexuais, apenas mulheres poderiam iniciar a conversa.  A ideia era reduzir abordagens agressivas, dar mais controle às usuárias e criar um ambiente percebido como mais seguro. Como consequência, o aplicativo cresceu rapidamente. Em poucos anos, expandiu seu escopo para além de relacionamentos amorosos, lançando versões voltadas à amizade (Bumble BFF) e ao networking profissional (Bumble Bizz). 

 Whitney Wolfe Herd transformou retaliação em um império bilionário

Em fevereiro de 2021, o Bumble abriu capital na bolsa de valores de Nasdaq, arrecadando cerca de US$2,2 bilhões e alcançando uma avaliação próxima de US$8 bilhões. Aos 31 anos, Whitney Wolfe Herd tornou-se a mulher mais jovem a levar uma empresa ao mercado financeiro e uma das bilionárias self-made mais jovens do mundo, marcando o ponto de virada definitivo de uma trajetória que começou sob ataque e terminou no topo do mercado de tecnologia.

A história de Whitney Wolfe Herd também chegou ao cinema com o filme “Deu Match: A Rainha dos Apps de Namoro”, lançado em 2025. O filme se inspira em sua trajetória, mas ela não participou diretamente da produção devido ao acordo de confidencialidade com o Tinder. 


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