Carros automáticos na verdade são controlados por pessoas: grande empresa do ramo admite que funcionários remotos realizam manobras à distância

A Uber do futuro é à distância?

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Vika Rosa

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Vika Rosa

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Jornalista com mais de 5 anos de experiência, cobrindo os mais diversos temas. Apaixonada por ciência, tecnologia e games.


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A imagem de veículos futuristas circulando pelas ruas de forma totalmente independente acaba de ganhar uma dose de realidade humana. Durante uma audiência no Senado dos Estados Unidos, a Waymo, empresa da Alphabet e líder no setor de robotáxis, admitiu que seus sistemas "autônomos" dependem frequentemente da intervenção de operadores remotos, muitos deles localizados nas Filipinas.

A revelação reforça que a inteligência artificial, embora avançada, ainda não é capaz de lidar sozinha com todas as variáveis do trânsito. Quando os veículos se deparam com situações incomuns ou complexas, o controle é transferido para trabalhadores humanos que supervisionam e realizam manobras à distância para garantir a segurança da operação.

No entanto, isso pode acarretar em problemas. O primeiro é a privacidade, afinal, até que ponto outra pessoa pode controlar seu carro. O segundo, é a responsabilização. Um funcionário das Filipinas terá noção das leis de trânsitos de outros países? E se houver um acidente causado por ele, a empresa se responsabiliza?

O suporte humano invisível por trás da IA

O caso da Waymo não é isolado, mas faz parte de uma tendência crescente na indústria tecnológica de utilizar mão de obra humana terceirizada para sustentar sistemas apresentados como automáticos. Esse fenômeno já foi observado em outras grandes companhias:

A tecnologia Just Walk Out, que prometia compras sem caixas, dependia de funcionários na Índia monitorando as câmeras. Seus robôs e veículos ainda exigem intervenção ou monitoramento humano constante para evitar falhas.

Pedidos de drive-thru supostamente feitos por IA eram, na maioria das vezes, supervisionados por trabalhadores remotos filipinos.

A admissão de Mauricio Peña, diretor de segurança da Waymo, destaca que o treinamento e a operação da IA dependem de uma vasta rede de trabalhadores, muitas vezes recebendo baixos salários e operando fora dos Estados Unidos para reduzir custos operacionais.

Preocupações com segurança e soberania

A audiência no Senado revelou que os legisladores americanos estão menos preocupados com a existência dos operadores em si e mais com a localização deles. O senador Ed Markey classificou como "inaceitável" o uso de trabalhadores estrangeiros para operar veículos em solo americano, citando riscos de segurança devido ao atraso na transmissão de dados (delay) e questões de soberania nacional.

Além do fator humano, a Waymo também enfrenta questionamentos sobre sua frota. Ao utilizar veículos fabricados em diversos países, incluindo a China, a empresa despertou suspeitas de que estaria tentando contornar restrições de importação. 

Embora a empresa assegure que os sistemas de direção autônoma são instalados nos Estados Unidos, a pressão política sobre a origem do software e do hardware que compõem esses carros conectados só tende a aumentar.

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