Com termômetros se aproximando dos 50 °C em algumas regiões do Brasil, é quase impossível conseguir imaginar praias cobertas por gelo. Mas acredite se quiser: foi exatamente isso que aconteceu no norte da Polônia no início de janeiro. Após dias consecutivos de temperaturas abaixo de zero, as águas da baía de Gdansk, no mar Báltico, congelaram parcialmente, criando uma paisagem rara que atraiu os moradores da região, que não demoraram muito para caminhar, brincar e registrar imagens do local. O fenômeno ocorreu durante uma intensa onda de frio que atinge a Europa desde o começo do mês, com registros de até –22 °C em várias áreas do país.
Frio extremo transformou a paisagem e atraiu moradores a caminhar sobre o mar congelado
Ondas de frio severas costumam provocar nevascas e congelar rios e lagos, mas raramente avançam até o mar. Quando isso acontece, o fenômeno chama atenção não apenas pelo impacto visual, mas também pela raridade das condições necessárias para que ele aconteça. Na baía de Gdansk, o congelamento foi resultado de um período prolongado de frio intenso. Trata-se de uma área costeira relativamente rasa e protegida, onde as águas já costumam ser geladas durante o inverno europeu. Ainda assim, ver o mar coberto por gelo é um evento considerado pouco comum.
Com temperaturas que persistem em se manter abaixo de zero e ausência de ventos fortes, a superfície do mar começou a formar uma camada de gelo visível. No entanto, em pouco tempo, a paisagem mudou completamente, e a transição entre areia e água desapareceu devido ao gelo, permitindo que pessoas circulassem pela área com tranquilidade. Devido ao conjunto desses fatores, famílias inteiras foram até a praia para observar o raro evento. Crianças brincaram em cima da água congelada, enquanto adultos caminhavam e registraram vídeos do momento.
Apesar do sal dificultar o congelamento, condições muito específicas permitem que o mar vire gelo
Diferentemente de lagos e rios, o mar não congela com facilidade. O sal presente na água interfere na formação da estrutura cristalina do gelo, reduzindo o ponto de congelamento para cerca de –2 °C a –3 °C. Mesmo assim, quando uma combinação específica de fatores se alinham, o congelamento se torna possível.
Para que isso aconteça, é necessário um ambiente costeiro raso e relativamente isolado, temperaturas do ar persistentemente abaixo de zero, pouca ou nenhuma ação do vento e águas calmas, sem ondas intensas. Nessas condições, ocorre a expulsão gradual do sal durante o processo de resfriamento, permitindo que o gelo se forme na superfície.
Foi esse conjunto de fatores que se apresentou no norte da Polônia nas últimas semanas. A mesma onda de frio responsável por nevascas em grandes cidades europeias também congelou lagos e rios em diferentes regiões do continente. Nos últimos dias, essa massa de ar frio avançou ainda mais em direção à Europa Central, mantendo o alerta para novos episódios extremos durante o inverno.
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