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Há 14.400 anos, cinco pessoas e um cachorro atravessaram uma caverna sem tochas, mas com galhos de pinheiro

Uma solução simples

(Reprodução/Xataka)
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Bárbara Castro

Redatora

Se você entrasse em uma caverna profunda e escura, provavelmente pegaríamos um bom tronco para usar como tocha. Intuitivamente associamos que um pedaço de madeira de boas dimensões queima devagar e, portanto, tem mais tempo de luz. Bem, lá no Paleolítico, uma família se viu na mesma situação e sabiamente escolheu levar palitos de pinheiro com eles.

Na caverna de Bàsura, perto de Toirano (Ligúria, Itália), há uma década o projeto multidisciplinar "Bàsura Revisited" investiga como um grupo de caçadores-coletores da época da última era do gelo (14.400 anos) conseguiu percorrer quase 800 metros de uma galeria subterrânea em completa escuridão.

A pergunta é: o que essas pessoas usaram para se iluminar no caminho? Após recuperar e analisar 56 fragmentos de carvão, descobriram que mais da metade vinha de ramos jovens com menos de dois ou três centímetros de diâmetro de pinheiro-silvestre (Pinus sylvestris) ou espécies muito semelhantes. Ou seja, eles não usavam grandes tochas com troncos grossos, mas um punhado de finos galhos de pinheiro coletados de árvores.

Isso desmente a crença clássica sobre iluminação paleolítica em cavernas: em vez de tochas volumosas, usavam um sistema mais prático que pesava menos, fazia menos fumaça e era extremamente eficiente, pois podiam iluminar uma viagem de duas horas com apenas 20 unidades.

A caverna de Bàsura foi escavada desde a década de 1950, quando as pegadas encontradas foram erroneamente atribuídas a neandertais. Posteriormente, datações indicaram que pertenciam ao período Epigravettiano. Quanto ao uso do fogo como fonte de luz, é uma realidade amplamente documentada em outros sítios do Paleolítico Superior europeu. Outros estudos já haviam apontado a importância de selecionar espécies de madeira por suas propriedades de iluminação.

Para confirmar essa teoria, a equipe realizou experimentos em uma caverna próxima com condições semelhantes às de Bàsura: eles queimaram galhos de pinheiro-silvestre semelhantes aos encontrados, com cinco participantes (o mesmo número de indivíduos que pode ser deduzido a partir de pegadas fossilizadas). O resultado foi que dois galhos em chamas foram suficientes para iluminar aquele grupo de pessoas que caminhavam em fila, com uma visibilidade de até dez metros depois que a vista se adaptava à escuridão. O consumo de galhos era muito baixo: o galho perdia cerca de quatro centímetros de comprimento por minuto de deslocamento.

Graças à análise do pólen na área, sabemos que havia uma paisagem de estepe aberta com florestas de pinheiros dispersas, mas nem todo o pólen dentro da caverna foi trazido por humanos: também é obra dos ursos que hibernavam ali.

Embora a reconstrução experimental seja rigorosa, ainda é uma simulação moderna que reproduz condições plausíveis, mas não pode demonstrar com absoluta certeza o comportamento de 14.400 anos atrás. Além disso, a amostra de carvão é relativamente pequena para generalizar sobre sistemas de iluminação paleolíticos além deste local específico.

Matéria traduzida de Xataka*


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