Escaladores encontram rastro de 80 milhões de anos na Itália: rocha preserva fuga em massa de tartarugas e fascina a ciência

Marcas preservadas no fundo do mar há milhões de anos podem revelar como tartarugas marinhas reagiram a um terremoto no período Cretáceo

Simulação de fuga das tartarugas feita por IA
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Laura Vieira

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Laura Vieira

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Jornalista recém-formada, com experiência no Tribunal de Justiça, Alerj, jornal O Dia e como redatora em sites sobre pets e gastronomia. Gosta de ler, assistir filmes e séries e já passou boas horas construindo casas no The Sims.

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Uma rocha na costa da Itália pode guardar o registro de uma fuga em massa ocorrida há cerca de 80 milhões de anos, quando tartarugas marinhas pré-históricas teriam tentado escapar de um terremoto. As marcas foram encontradas por escaladores no Monte Cònero, com vista para o Mar Adriático, e chamaram a atenção pela quantidade e pelo formato dos sulcos. Ao investigar o local, pesquisadores identificaram indícios de que os rastros foram deixados no fundo do mar durante o período Cretáceo. O estudo, publicado na revista científica Cretaceous Research, propõe que um tremor sísmico pode ter provocado a movimentação dos animais e ajudado a preservar suas marcas por milhões de anos.

Marcas na rocha levaram pesquisadores a investigar uma possível debandada pré-histórica

A descoberta aconteceu quando escaladores exploravam as encostas do Monte Cònero e encontraram uma superfície rochosa coberta por sulcos. O formato das marcas lembrou aos aventureiros outros rastros de répteis marinhos identificados anteriormente na mesma região. Por isso, eles procuraram o geólogo Paolo Sandroni, que entrou em contato com Alessandro Montanari, diretor do Observatório Geológico de Coldigioco.

A equipe voltou ao local para documentar as marcas, coletar amostras de rocha e registrar a área com o auxílio de um drone. A análise revelou que os sulcos estavam preservados em uma camada de calcário conhecida como Scaglia Rossa, que se formou a partir de sedimentos acumulados no fundo do mar. Os pesquisadores estimam que as marcas tenham aproximadamente 80 milhões de anos. Naquela época, a região hoje ocupada pela montanha estava submersa, e as amostras analisadas indicam que o ambiente marinho tinha centenas de metros de profundidade.

Mas o detalhe mais interessante está na possível origem dos rastros. Os cientistas acreditam que as marcas podem ter sido produzidas por um grande grupo de tartarugas marinhas em fuga, embora não seja possível confirmar a identidade dos animais apenas pelas impressões.

Terremoto pode ter provocado a fuga e preservado os rastros por milhões de anos

rocha Pesquisadores acreditam que os sulcos possam ter sido formados pela fuga de tartarugas após um terremoto que causou um deslizamento de terra subaquático

A hipótese dos pesquisadores é que um terremoto tenha assustado os animais e provocado uma movimentação coletiva em direção ao mar aberto. Ao se deslocarem próximos ao fundo marinho, eles teriam pressionado suas nadadeiras contra o sedimento macio, deixando marcas na superfície. O próprio tremor pode ter contribuído para conservar esses registros. Segundo o estudo, o terremoto teria desencadeado um fluxo de sedimentos subaquáticos que cobriu os rastros, protegendo-os de processos que poderiam apagá-los ao longo do tempo.

A interpretação ainda é uma hipótese. Outros répteis marinhos, como plesiossauros e mosassauros, também poderiam deixar marcas semelhantes, e os pesquisadores não encontraram evidências suficientes para identificar definitivamente os responsáveis. Mesmo assim, o conjunto de rastros e as características geológicas do local sustentam a possibilidade de uma fuga coletiva.

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