Muito antes das câmeras caberem no bolso ou estarem acopladas nos smartphones, tirar uma fotografia podia exigir uma operação grandiosa o bastante para reunir uma equipe inteira. Em 1900, o fotógrafo americano George R. Lawrence criou a Mammoth, uma câmera gigantesca que pesava 635 kg quando estava totalmente carregada e media 4,3 metros de comprimento.
O equipamento foi encomendado por uma companhia ferroviária de Chicago, nos Estados Unidos, que queria registrar um trem inteiro em uma única imagem. Para cumprir a tarefa, o fotógrafo precisou recorrer a uma estrutura fotográfica sem precedentes para a época, que conseguia produzir negativos em placas de vidro com cerca de 2,4 metros de altura por 1,4 metro de largura.
A Mammoth nasceu para fotografar um trem inteiro de uma só vez
No início do século XX, a fotografia já era utilizada para divulgar produtos e grandes empreendimentos, mas registrar objetos de dimensões extraordinárias ainda representava um desafio técnico. Foi aí que a Chicago & Alton Railway, uma companhia ferroviária americana, decidiu investir em uma imagem que pudesse destacar seu novo trem, o The Alton Limited, que fazia o trajeto entre Chicago e St. Louis.
A composição ferroviária era admirada pela simetria: seus seis vagões tinham o mesmo comprimento e a mesma altura, além de janelas idênticas. A empresa queria aproveitar essas características para promover o trem, mas precisava de uma fotografia que mostrasse toda a estrutura sem comprometer suas proporções. Inicialmente, George considerou montar uma imagem a partir de vários negativos. A ideia, porém, foi descartada porque a junção das fotografias poderia distorcer a perspectiva.
A alternativa seria construir uma única câmera com capacidade para capturar o trem inteiro de uma vez. A companhia ferroviária aceitou bancar o projeto, que custou US$5 mil, uma quantia que, naquela época, era suficiente para comprar uma casa. George tinha experiência com fotografia comercial de grande formato e era conhecido por experimentar soluções técnicas pouco comuns. Seu estúdio, inclusive, tinha como especialidade superar limitações que pareciam impossíveis para a fotografia. A construção da Mammoth ficou a cargo da empresa J. A. Anderson, que utilizou madeira de cerejeira para fabricar a estrutura monumental.
Com 635 kg e lentes especiais, a câmera exigia uma operação gigantesca
As dimensões da Mammoth ajudam a entender por que o equipamento estava longe de ser uma câmera comum. Vazia, ela pesava cerca de 400 kg; com todos os componentes necessários para funcionar, chegava a 635 kg. Dos 4,3 metros de comprimento, quase metade correspondia ao fole, a estrutura flexível que permitia ajustar a distância entre a lente e a placa fotográfica.
O equipamento também contava com duas lentes fabricadas pela Carl Zeiss, desenvolvidas para atender às necessidades da fotografia em grande formato. A placa de vidro utilizada para registrar os negativos media aproximadamente 2,4 metros por 1,4 metro, exigindo cuidados especiais tanto na captura quanto no processamento da imagem.
Transportar e operar uma estrutura desse tamanho não era simples. Cerca de 15 pessoas eram necessárias para manusear a câmera, que precisou ser levada de Chicago até o local onde o trem aguardava para ser fotografado. Depois de preparar o equipamento, George ajustou a exposição para dois minutos e 30 segundos. O trabalho, no entanto, não terminava quando a fotografia era tirada. A revelação dos negativos exigia aproximadamente 40 litros de produtos químicos, um volume gigantesco.
O resultado foi tão impressionante que as fotografias foram enviadas à França para serem apresentadas na Exposição Universal de Paris, em 1900. George recebeu um prêmio pelo trabalho, embora o projeto tenha despertado tanta desconfiança que o cônsul francês em Nova York chegou a viajar até Chicago para verificar se a câmera realmente existia.
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