A Amazon concordou em ajudar a financiar o desenvolvimento de uma usina nuclear de 960 megawatts em Indiana, nos EUA, em troca de ser a primeira cliente a comprar sua energia. O projeto, anunciado na segunda-feira junto às empresas X-Energy e American Electric Power (AEP), instalaria 12 pequenos reatores modulares (SMRs) no terreno de uma antiga usina a carvão. No entanto, ninguém informou quando ela poderá realmente começar a produzir eletricidade.
O apetite das grandes empresas de tecnologia por energia para abastecer seus centros de dados não para de crescer e está chegando a níveis insustentáveis para a rede elétrica. Esses centros colossais, onde fica armazenada toda a infraestrutura necessária para fazer a IA funcionar, precisam de enormes quantidades de eletricidade 24 horas por dia, e a energia nuclear é uma das poucas fontes livres de carbono capazes de fornecê-la.
A Amazon afirma que pretende colocar em operação mais de 5 gigawatts de nova capacidade nuclear nos EUA até 2039, em parceria com a X-Energy, e Indiana é o segundo projeto desse plano. O primeiro é a Cascade Advanced Energy Facility, no estado de Washington. Segundo o site de tecnologia TechCrunch, o acordo em Indiana é três vezes maior que o primeiro firmado entre as duas empresas.
Os detalhes
A usina utilizaria 12 reatores Xe-100 da X-Energy, cada um com potência nominal de 80 MW. Segundo a Amazon, ela ficaria no local onde antes funcionava a antiga usina elétrica Breed Generating Station, no condado de Sullivan, logo ao sul de Terre Haute. A AEP, cuja subsidiária Indiana Michigan Power opera uma usina nuclear há mais de 50 anos, ficaria responsável pelo funcionamento da nova instalação.
Ao contrário de muitos outros novos projetos de energia ligados a centros de dados, a usina seria conectada à rede elétrica pública. A Amazon afirma que ela atenderia tanto à rede regional quanto às próprias instalações da empresa. A companhia também destaca que o projeto poderia criar mais de 1.000 empregos durante a construção e mais de 100 postos de trabalho permanentes.
A Amazon afirma que o Xe-100 utiliza hélio como refrigerante e combustível TRISO. Além disso, a empresa garante que o projeto evita um derretimento do núcleo do reator apenas por meio de seus princípios físicos, sem sistemas ativos nem intervenção humana. A Amazon também informa que os reatores podem ser resfriados a ar, a água ou por uma combinação dos dois.
A Amazon não revelou quanto está investindo. Um porta-voz disse ao site The Register apenas que a empresa está “investindo bilhões de dólares em projetos de energia nuclear”, sem especificar números. A Amazon investiu uma quantia considerável na X-Energy em uma de suas rodadas de financiamento, contribuindo com 700 milhões de dólares em 2024. O papel da gigante da tecnologia nesse projeto é ser tanto investidora quanto primeira cliente da X-Energy. A Amazon afirma, porém, que não participará do processo de aprovação regulatória.
Obstáculos
Segundo o The Register, os EUA ainda não colocaram nenhum reator modular em operação e a X-Energy não construiu nenhum reator operacional, independentemente do tamanho. O Xe-100 ainda está em fase de desenvolvimento e licenciamento.
As licenças nos EUA acrescentam outro obstáculo, pois, segundo o The Register, as autorizações de construção desses projetos estão vinculadas a um local específico. A X-Energy afirma que seu primeiro projeto, com quatro reatores em uma usina da Dow Chemical em Seadrift, no Texas, está nas etapas finais de análise pela Comissão Reguladora Nuclear, mas essa aprovação não seria automaticamente válida para Indiana.
O site de tecnologia TechCrunch acrescenta que o local de Seadrift está no centro de uma ação judicial no Texas que alega um “descumprimento habitual” das normas sobre água e resíduos nas instalações da Dow, e que a X-Energy ainda não começou as obras no local.
Um porta-voz da X-Energy disse ao jornal South Bend Tribune que a usina poderia ficar pronta “já em meados da década de 2030”, mas que o cronograma “poderia mudar” à medida que o projeto avançasse. Por outro lado, o site de tecnologia The Verge destaca que a construção da Cascade, a primeira usina anunciada pela Amazon, não deve começar antes do fim desta década.
Imagem | Amazon
Texto traduzido e adaptado do portal parceiro Xataka Espanha.
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