“Acreditamos que isso pode retardar a demência”: a neurotecnologia que estimula o sono para combater a doença sem remédios

Uma faixa usada durante o sono profundo busca estimular a atividade cerebral e pode ser uma nova estratégia contra o Alzheimer

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Laura Vieira

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Laura Vieira

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Jornalista recém-formada, com experiência no Tribunal de Justiça, Alerj, jornal O Dia e como redatora em sites sobre pets e gastronomia. Gosta de ler, assistir filmes e séries e já passou boas horas construindo casas no The Sims.

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Uma faixa usada durante a noite pode ajudar a retardar o avanço da demência em pessoas com comprometimento cognitivo leve. Desenvolvido pela empresa espanhola Bitbrain, o dispositivo utiliza a neurotecnologia para estimular ondas cerebrais lentas durante o sono profundo, fase importante para processos de limpeza metabólica do cérebro. A proposta é atuar sobre um dos fatores que podem contribuir para a deterioração cognitiva: o sono insuficiente. A tecnologia ainda está em fase de testes, mas os resultados iniciais são promissores e podem trazer novas soluções para uma abordagem domiciliar complementar aos tratamentos tradicionais contra o Alzheimer.

Faixa estimula ondas cerebrais durante o sono para proteger o cérebro

A ideia por trás do dispositivo da Bitbrain é aproveitar o período em que o cérebro descansa para estimular atividades cerebrais associadas à manutenção da saúde neurológica. Usada em casa durante a noite, a faixa gera ondas lentas durante o sono profundo, etapa relacionada à limpeza metabólica cerebral e à eliminação de placas beta-amiloides. Essas placas são depósitos de proteínas associados à doença de Alzheimer. A tecnologia busca, portanto, atuar em processos cerebrais que podem estar relacionados à deterioração cognitiva, sem depender de medicamentos para produzir o estímulo.

A proposta é voltada a pessoas com comprometimento cognitivo leve, uma condição que pode anteceder o Alzheimer, mas que não significa necessariamente que a demência vai se desenvolver. Segundo María López Valdés, cofundadora e diretora-executiva da Bitbrain, o sono insuficiente é uma preocupação nesse grupo. A executiva afirma que a equipe acredita que a estimulação pode retardar o início da demência, já que dormir pouco pode acelerar o processo de deterioração. Por enquanto, porém, essa possibilidade ainda precisa ser confirmada por mais pesquisas cientificas.

Neurotecnologia pode complementar o tratamento contra o Alzheimer

pessoa idosa tentando dormir O sono de qualidade é essencial para o funcionamento do cérebro, pois está relacionado à memória, à recuperação do organismo e à eliminação de resíduos metabólicos cerebrais

O dispositivo faz parte de um campo mais amplo de pesquisas que utilizam interfaces cérebro-máquina para interpretar ou estimular a atividade cerebral. Na Espanha, a Bitbrain também desenvolve outras tecnologias, incluindo uma neuroprótese que permitiu a uma pessoa tetraplégica levar uma colher à boca por meio de estimulação elétrica funcional.

No caso da faixa para dormir, o diferencial está em levar a estimulação cerebral para a casa, dentro da rotina doméstica, durante uma atividade cotidiana, sem exigir que o paciente permaneça em um hospital para utilizar o equipamento. Se os resultados iniciais forem confirmados, a abordagem poderá se tornar uma alternativa complementar aos cuidados médicos voltados à deterioração cognitiva.

Isso não significa que a faixa já seja capaz de prevenir ou tratar o Alzheimer de forma comprovada. A tecnologia ainda está em avaliação, e a eficácia e os benefícios clínicos precisam ser estabelecidos com mais evidências. Por enquanto, a inovação representa uma tentativa de explorar o sono como parte das estratégias para retardar o desenvolvimento da demência, e não uma substituição dos tratamentos existentes.

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