Comer carne pode aumentar as chances de chegar aos 100 anos: estudo com centenárias revela o peso corporal como fator crucial

Estudo com mais de 5 mil idosos revela um detalhe inesperado sobre carne, vegetarianismo e longevidade — e o peso corporal pode mudar tudo

Imagem produzida por IA de dieta vegetariana e carnívora
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Laura Vieira

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Laura Vieira

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Jornalista recém-formada, com experiência no Tribunal de Justiça, Alerj, jornal O Dia e como redatora em sites sobre pets e gastronomia. Gosta de ler, assistir filmes e séries e já passou boas horas construindo casas no The Sims.

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Comer carne pode estar associado a uma maior probabilidade de chegar aos 100 anos, mas essa relação depende de um detalhe importante: o peso corporal. Um estudo publicado no The American Journal of Clinical Nutrition analisou mais de 5.200 chineses com 80 anos ou mais e identificou uma associação entre dietas vegetarianas e menores chances de se tornar centenário, principalmente entre pessoas abaixo do peso. 

A diferença foi observada sobretudo entre as mulheres, enquanto homens não apresentaram uma associação significativa entre vegetarianismo e longevidade. Os resultados, baseados em dados acompanhados até 2018, não significam que a carne prolongue a vida, mas levantam uma discussão sobre as necessidades nutricionais de quem chega à velhice.

Estudo com mais de 5 mil idosos relaciona baixo peso a menores chances de chegar aos 100 anos

A relação entre alimentação e longevidade é muito mais próxima do que você imagina. Embora dietas ricas em vegetais e alimentos pouco processados sejam associadas a benefícios para a saúde, as necessidades nutricionais podem mudar com o envelhecimento. Para avaliar essa mudança, pesquisadores da Universidade de Fudan, do Centro Chinês de Controle e Prevenção de Doenças e da Universidade Jiao Tong de Xangai investigaram se uma dieta vegetariana estaria relacionada à probabilidade de chegar aos 100 anos.

Para isso, a equipe utilizou dados do Estudo Longitudinal Chinês sobre Saúde e Longevidade, uma pesquisa iniciada em 1998. A análise reuniu 5.203 participantes com pelo menos 80 anos, divididos entre 1.459 centenários e 3.744 pessoas que morreram antes de completar um século de vida. Os pesquisadores compararam pessoas que consumiam carne com vegetarianos e também analisaram diferentes padrões alimentares dentro do segundo grupo. Entre eles estavam veganos, que não consomem alimentos de origem animal, ovo-lacto-vegetarianos, que incluem ovos e laticínios, e pesco-vegetarianos, que também comem peixe.

Os resultados indicaram que, considerando o conjunto dos participantes, os vegetarianos apresentaram chances 19% menores de chegar aos 100 anos em comparação com quem consumia carne. Entre os veganos, a diferença foi ainda maior, com chances 29% menores. Já os grupos que consumiam peixe, ovos ou laticínios não apresentaram diferenças estatisticamente significativas em relação aos onívoros. O dado mais importante, porém, apareceu quando os cientistas levaram em conta o índice de massa corporal (IMC), uma medida que relaciona o peso à altura para classificar o estado nutricional.

A associação entre vegetarianismo e menor probabilidade de chegar aos 100 anos foi observada entre os participantes com baixo peso, definido como IMC inferior a 18,5 kg/m². Nesse grupo, os pesquisadores encontraram uma diferença estatisticamente significativa entre vegetarianos e pessoas que consumiam carne. Entre aqueles com IMC igual ou superior a 18,5, não foi identificada uma associação significativa.

Isso ajuda a entender por que o resultado não deve ser interpretado como uma defesa do consumo de carne para todo mundo. A pesquisa sugere que, em idades avançadas, manter um estado nutricional adequado pode ser muito importante para a longevidade. Pessoas com baixo peso podem ter menos reservas de energia e maior dificuldade para obter todos os nutrientes necessários, embora o estudo não tenha demonstrado que a ausência de carne seja a causa direta desse quadro.

Proteínas, massa muscular e equilíbrio alimentar ganham importância na velhice

dieta vegetariana Estudo indica que, entre idosos com baixo peso, quem consumia carne tinha maior probabilidade de chegar aos 100 anos do que vegetarianos, mas não comprova que a carne prolongue a vida

A influência do peso corporal nessa conta chamou a atenção dos pesquisadores. Na população idosa, estar abaixo do peso pode indicar fragilidade, perda de massa muscular ou ingestão insuficiente de energia e nutrientes. Essas condições podem dificultar a recuperação de doenças e comprometer a capacidade de realizar atividades cotidianas.

A alimentação pode ser uma das peças chaves para combater isso. Proteínas, por exemplo, participam da manutenção dos músculos, que tendem a perder massa e força com o avanço da idade. Quando a ingestão de calorias e proteínas é insuficiente, o organismo pode ter mais dificuldade para preservar esses tecidos. Isso não significa, entretanto, que a carne seja a única maneira de obter proteínas ou que uma dieta vegetariana seja necessariamente inadequada. Leguminosas, como feijão, lentilha e grão-de-bico, além de soja, ovos e laticínios, podem contribuir para atender às necessidades nutricionais, dependendo dos alimentos incluídos na dieta. Para quem segue uma alimentação vegana, o planejamento também precisa considerar nutrientes como a vitamina B12.

O estudo reforça essa distinção ao mostrar que os vegetarianos que consumiam peixe, ovos ou laticínios não apresentaram diferenças significativas na probabilidade de chegar aos 100 anos. A variedade de alimentos e a quantidade de nutrientes consumidos podem ser tão relevantes quanto a presença ou ausência de carne no prato. Ainda assim, os resultados precisam ser interpretados com atenção. A pesquisa identificou associações, mas não demonstrou uma relação de causa e efeito. Portanto, não é possível afirmar que comer carne aumente diretamente a longevidade ou que adotar uma dieta vegetariana reduza a expectativa de vida.

Além disso, a pesquisa se concentrou em idosos chineses com 80 anos ou mais. Os resultados não podem ser aplicados automaticamente a pessoas mais jovens ou a populações com hábitos alimentares e condições de vida diferentes.

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