Com estimados 4 mil anos de idade, oliveira de Vouves, na Grécia, muda o que sabíamos sobre a longevidade dessa espécie

Sabíamos que as oliveiras eram árvores capazes de viver muito, mas não que chegavam a tanto

Oliveira de Vouves
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Victor Bianchin

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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

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A oliveira é, sem dúvida, uma das árvores mais icônicas da bacia do Mediterrâneo. Os olivais povoam os campos do sul da Europa e do Levante desde tempos imemoriais, mas a longevidade dessa espécie é tamanha que a história de algumas dessas árvores remonta, no mínimo, à Antiguidade.

Um exemplo disso é a oliveira de Vouves, localizada na ilha grega de Creta.

As estimativas mais conservadoras atribuem a essa árvore cerca de 2.000 anos de idade. Isso implicaria que, ao longo de sua vida, ela pode ter sido testemunha silenciosa de eventos como a divisão do Império Romano, a queda de Bizâncio e do Império Otomano e, claro, o nascimento da Grécia contemporânea.

As estimativas mais amplas calculam que essa árvore poderia alcançar 4.000 anos de idade. Isso não apenas a tornaria contemporânea de figuras como Pitágoras, Aristóteles e Alexandre, o Grande, como também implicaria que essa planta nasceu na Creta minóica e testemunhou o colapso da Idade do Bronze Tardia, um dos eventos mais intrigantes ocorridos nos primórdios da história como a entendemos.

Mas talvez o detalhe mais surpreendente de tudo isso seja que a oliveira de Vouves continua dando frutos.

Isso levou muitos a se perguntarem: como isso é possível? O que faz com que esse exemplar e sua espécie, em geral, sejam tão longevos?

A oliveira (Olea europaea) tem uma expectativa de vida que, embora não chegue a ser milenar na maioria dos casos, ultrapassa vários séculos. Estima-se que a expectativa de vida das árvores dessa espécie gire em torno de cinco séculos, embora exista certo debate a respeito. Um estudo publicado em 2021 na revista Dendrochronologia estima que a maioria das “oliveiras monumentais” tenha idades máximas entre 300 e 500 anos.

Estimar a idade de uma oliveira é difícil. Como mencionado no início, as estimativas para a idade dessa árvore milenar variam entre 2.000 e 4.000 anos — uma margem bastante ampla justamente pela dificuldade que existe em calcular a idade dessas árvores.

A dendrocronologia baseia-se no uso dos anéis de crescimento dos troncos das árvores para estimar sua idade: quanto mais anéis, mais anos. Contar os anéis em um exemplar derrubado é simples, mas fazer isso em uma árvore viva — e ainda mais em uma oliveira — já é outra história. Os troncos das oliveiras crescem de forma irregular, o que implica um padrão aparentemente caótico nos anéis de seu interior, tornando a contagem especialmente difícil, como aponta um estudo publicado em 2013 na revista PLOS One.

Esse crescimento peculiar pode estar relacionado à longevidade da espécie. Segundo explica Scott Travers, biólogo da Universidade Rutgers, em um artigo para a Forbes, um dos “segredos” por trás da vida longa dessas árvores está na reprodução vegetativa ou clonal. Ou seja, no fato de que essa árvore é composta por diversos brotos que partem de uma mesma raiz. Isso, acrescenta Travers, permite que esse tipo de planta sobreviva a condições extremas, incluindo incêndios, cortes e outros eventos semelhantes.

Outro dos “truques” para a sobrevivência, continua explicando Travers, está na bioquímica da árvore, que oferece mecanismos capazes de reparar tecidos danificados, além de se defender de organismos patógenos. O mesmo óleo que nós, humanos, aproveitamos é utilizado pela própria árvore que o produz.

As árvores que vivem mais

As oliveiras são árvores com uma longa expectativa de vida, mas normalmente não lideram as listas das árvores mais longevas do planeta. As duas árvores não clonais mais antigas conhecidas são dois pinheiros chamados Prometeu e Matusalém, cujas idades são estimadas em quase 5.000 anos. Ambos pertencem (ou pertenciam, no caso de Prometeu) à espécie Pinus longaeva, o “pinheiro longevo”.

Quando Prometeu foi cortado, os botânicos que o analisaram contaram mais de 4.800 anéis, estimando uma idade de cerca de 4.900 anos. As estimativas indicam que Matusalém também já ultrapassou, há décadas, a marca dos 4.800 anos de idade.

Se incluirmos organismos clonais, podemos encontrar árvores ainda mais antigas. Por exemplo, o bosque de Pando, considerado o maior organismo vivo do planeta, composto por milhares de brotos de uma mesma árvore clonal, pode ter cerca de 80.000 anos de idade, segundo algumas estimativas.

Imagem | Eric Nagle, CC BY-SA 4.0

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


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