Cientistas descobrem substância que pode derrotar superbactérias mortais e sua origem é uma "doce vitória"

Uma forma engenhosa, mas curiosa

Bactéria | Fonte: Unsplash/Am
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Vika Rosa

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Vika Rosa

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Jornalista com mais de 5 anos de experiência, cobrindo os mais diversos temas. Apaixonada por ciência, tecnologia e games.


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Em um avanço histórico para a medicina, cientistas da Universidade de Sydney e de outras instituições australianas descobriram uma forma engenhosa de derrotar as bactérias mais resistentes do mundo. O estudo, publicado na revista Nature Chemical Biology, revela que o segredo para combater infecções mortais pode estar em um açúcar encontrado exclusivamente na superfície das bactérias.

Diferente dos antibióticos tradicionais, que tentam destruir o invasor diretamente, a nova técnica usa anticorpos para "marcar" as bactérias, alertando o sistema imunológico humano para que ele mesmo faça o trabalho de eliminação.

Ácido pseudamínico

Os pesquisadores identificaram uma molécula de açúcar específica chamada ácido pseudamínico. Ela é essencial para a sobrevivência e para a capacidade de infecção de diversos patógenos, mas possui uma característica crucial: o corpo humano não a produz.

Como esse açúcar só existe nas bactérias, os anticorpos criados em laboratório conseguem atacar apenas os invasores, preservando totalmente as células saudáveis do paciente.

A equipe desenvolveu um anticorpo capaz de reconhecer esse açúcar em várias espécies e cepas diferentes, tornando-o uma arma de amplo espectro contra infecções hospitalares.

Em experimentos com camundongos, a terapia eliminou com sucesso a Acinetobacter baumannii multirresistente, uma das bactérias mais perigosas do mundo, frequentemente associada a pneumonias fatais em UTIs.

Imunoterapia passiva

A abordagem é chamada de imunoterapia passiva. Em vez de esperar que o corpo do paciente doente crie suas próprias defesas (o que pode demorar dias), os médicos administram anticorpos prontos que entram em ação imediatamente.

Essa estratégia pode mudar o jogo em ambientes hospitalares, sendo usada tanto para tratar pacientes já infectados quanto para prevenir que pessoas vulneráveis em unidades de terapia intensiva contraiam superbactérias. 

Segundo o Professor Richard Payne, o objetivo agora é transformar essa descoberta em tratamentos clínicos prontos para uso nos próximos cinco anos.

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