Não é o seu celular, nem o seu dedo: sensor de impressões digitais de smartphone pode falhar quando está frio

No inverno, leitor de impressões digitais pode falhar com mais frequência porque o ar é mais seco, a pele perde umidade e sua condutividade diminui

Imagem | Manuel Naranjo
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PH Mota

Redator
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PH Mota

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Jornalista há 15 anos, teve uma infância analógica cada vez mais conquistada pelos charmes das novas tecnologias. Do videocassete ao streaming, do Windows 3.1 aos celulares cada vez menores.

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No inverno, a mesma coisa pode começar a acontecer repetidamente: colocar o dedo no leitor, ver o celular vibrar, mas... e nada. Às vezes, até funciona de primeira, outras vezes parece que a impressão digital parou de ser reconhecida de um dia para o outro. O estranho é que não se trata de uma falha constante.

A primeira coisa que vem à mente é que o sensor está com defeito, que há algo errado com a tela ou que você registrou sua impressão digital incorretamente. Então você percebe um padrão bastante peculiar: acontece principalmente quando você vem da rua, quando suas mãos estão frias ou quando o ambiente está seco e você nota a pele mais áspera.

A boa notícia é que não se trata de uma impressão aleatória. A má notícia é que nem sempre você resolve o problema mexendo nas configurações. A explicação reside em algo muito simples: um leitor de impressões digitais não analisa apenas o seu dedo, ele também leva em consideração como a sua pele reage à temperatura, umidade e condutividade.

O que acontece com o seu dedo quando está frio?

O frio traz dois efeitos bastante problemáticos. O primeiro é que o ar tende a ter menos umidade e a pele resseca mais facilmente. Quando a impressão digital está mais seca, pode haver menos contraste entre as cristas e os vales, e a imagem capturada pelo sensor fica com pior qualidade, como se faltasse definição.

O segundo efeito é fisiológico: com o frio, o fluxo sanguíneo na superfície da pele diminui porque o corpo prioriza a conservação do calor. Isso também influencia a condutividade da pele, que é um dos fatores que fazem com que alguns sensores funcionem melhor ou pior, dependendo da condição do dedo.

É por isso que a falha é tão intermitente. Não é que o celular "quebre" no inverno. É que o seu dedo nem sempre alcança o sensor nas mesmas condições.

Celular

Por que alguns sensores falham mais do que outros?

Aqui, o tipo de leitor importa. Sensores capacitivos, típicos de botões ou da parte traseira de muitos celulares, funcionam medindo pequenas alterações elétricas quando tocam a superfície. Se a pele estiver muito seca, essas alterações podem ser menos perceptíveis e o leitor fica mais sensível.

Os leitores ópticos sob a tela dependem da captura de imagem através da iluminação do dedo e podem apresentar problemas se a pele estiver seca, rachada ou com baixo contraste.

Os ultrassônicos, em teoria, têm vantagens porque "sondam" a impressão digital com ondas e são menos afetados por certas condições, mas também não são infalíveis: se o dedo estiver muito seco ou a pele apresentar alterações, o número de tentativas pode aumentar.

Além disso, muitos leitores dependem da pressão e do contato adequados do dedo. No frio, a pele pode ficar mais rígida e o apoio piora, resultando em uma leitura mais borrada pelo sensor.

Umidade, suor e desconforto

Eis a ironia: se a pele seca falhar, você pode pensar: "Bem, vou molhar o dedo e pronto". Às vezes funciona, mas o excesso de umidade também pode prejudicar a leitura, especialmente em sistemas ópticos ou em superfícies onde a água cria reflexos ou altera a captura. A umidade da pele influencia o desempenho biométrico, e alguns sensores têm um desempenho pior quando o dedo está muito seco.

Por isso, o ponto ideal costuma ser a pele normal, nem rígida nem úmida. No inverno, esse equilíbrio é quebrado com mais frequência.

O que fazer quando o sensor falha no frio?

Se você quer uma solução que realmente funcione, o mais útil é atacar a causa, não o sintoma. Aquecer o dedo por alguns segundos antes de desbloquear ajuda mais do que parece, pois você recupera o contato e a condutividade. Limpar a área do sensor também ajuda, já que no inverno usamos mais bolsos e luvas, e a sujeira fina prejudica a leitura.

Outra ideia surpreendentemente eficaz é registrar novamente a impressão digital em condições de inverno. Seu dedo não se comporta da mesma forma no calor e no frio, e se você registrar a impressão digital quando sua pele estiver mais seca, o sistema poderá reconhecer melhor esse "estado" durante a estação. Essa recomendação circula há anos justamente por esse motivo.

Se o seu telefone oferece opções como aumentar a sensibilidade ao toque ou melhorar o reconhecimento na tela, vale a pena ativá-las durante os meses frios, porque às vezes o problema não é a sua impressão digital, mas sim a margem de tolerância que o sistema está utilizando.

Imagens | Manuel Naranjo

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