A ciência diz que é impossível, mas este antigo papiro egípcio traz relatos de gigantes que desafiam o que sabemos sobre a história

Um documento administrativo de 3.000 anos descreve guerreiros com até 2,6 metros de altura, algo que a ciência acredita ser impossível 

documento egípcio escrito há mais de 3.000 anos. créditos: Museu Britânico
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Laura Vieira

Redatora
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Laura Vieira

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Jornalista recém-formada, com experiência no Tribunal de Justiça, Alerj, jornal O Dia e como redatora em sites sobre pets e gastronomia. Gosta de ler, assistir filmes e séries e já passou boas horas construindo casas no The Sims.

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Histórias sobre gigantes fazem parte do folclore, da mitologia, de textos religiosos e da tradição literária. A narrativa bíblica de Golias e o conto de fadas João e o pé de feijão são exemplos conhecidos, mas a existência desses seres sempre foi tratada como ficção. Afinal, para a biologia moderna, humanos com mais de dois metros e meio enfrentariam limitações físicas severas, do sistema cardiovascular à estrutura óssea , o que tornaria esse tipo de corpo inviável.

Essa certeza, no entanto, passou a ser questionada por um documento egípcio escrito há mais de 3.000 anos e hoje guardado no Museu Britânico. Conhecido como Papiro Anastasi I, o texto não é um mito nem um relato religioso, mas uma carta administrativa da XIX Dinastia, redigida por um escriba treinado para observar, medir e relatar. Nela, há uma descrição surpreendentemente objetiva de guerreiros com estaturas muito acima do normal, incluindo medidas corporais precisas.

Um relatório egípcio detalhado descreve guerreiros de mais de dois metros de altura

Datado do século XIII a.C., o Papiro Anastasi I faz parte de uma correspondência literária atribuída ao escriba Hori, que descreve dificuldades enfrentadas em uma passagem montanhosa da região cananeia, um corredor estratégico entre o Egito e a Mesopotâmia, que funcionava como uma ponte cultural e comercial.

Entre observações sobre o terreno hostil e riscos militares, o escriba revela um detalhe fora do comum. Ele menciona os Shasu, grupos nômades frequentemente retratados em registros egípcios. Segundo o texto, alguns desses guerreiros tinham quatro ou cinco côvados de altura, da cabeça aos pés. Considerando que o côvado real egípcio media cerca de 52 centímetros, isso colocaria esses indivíduos entre 2,03 e 2,59 metros de altura.

O que torna esse trecho particularmente intrigante não é apenas o número, mas o contexto. O escriba não usa linguagem mitológica, nem metáforas religiosas: ele descreve altura, aparência física e comportamento hostil de forma técnica. Outros registros do período reforçam a controvérsia entre pesquisadores. Representações esculpidas do reinado de Ramsés II mostram prisioneiros Shasu representados com estaturas acima do padrão, enquanto textos egípcios mencionam povos chamados Iy Aneq, descritos como excepcionalmente altos. O dado chama atenção porque essas referências surgem em documentos históricos e estão ligadas a regiões específicas do sul do Levante,  região geográfica e histórica no Mediterrâneo Oriental, o que dificulta tratá-las apenas como metáforas ou exageros.

Por que a descrição de homens gigantes em textos egípcios ainda divide pesquisadores?

Depois de identificar medidas, locais e personagens em um documento administrativo egípcio, a dúvida deixou o campo da curiosidade arqueológica e entrou no terreno da ciência. A questão central não é se o escriba exagerou, mas se corpos humanos com essas dimensões poderiam existir de fato. É nesse ponto que a biologia moderna entra em choque com os registros antigos.

A biologia sustenta que corpos humanos muito altos enfrentam limites físicos claros. A chamada Lei do Quadrado-Cubo explica que, à medida que um corpo cresce, seu peso aumenta mais rápido do que sua capacidade estrutural. Corações precisam bombear mais sangue, ossos passam a suportar cargas maiores e o metabolismo entra em colapso com mais facilidade. É por isso que muitos pesquisadores defendem que o papiro não descreve gigantes literais, mas números exagerados, comuns em relatos militares antigos para amplificar o perigo do inimigo. Outros sugerem erros de tradução ou uso simbólico das medidas.

Porém, há uma terceira hipótese: e se o escriba estivesse descrevendo anomalias reais, como casos extremos de gigantismo? A medicina de hoje já reconhece condições genéticas raras capazes de produzir indivíduos com mais de 2,40 metros de altura, especialmente antes de qualquer tratamento hormonal. Em sociedades antigas, sem diagnóstico ou controle médico, esses casos poderiam parecer “aberrações” biológicas que mereciam registro. De toda forma, o documento não prova a existência de uma “raça de gigantes”, mas sugere que o autor descreveu algo que ele considerou real, mensurável e relevante de ser registrado. 


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