A 'trégua' secreta acabou: Rússia esperou o dia mais frio do ano para lançar 71 mísseis e 450 drones, o ataque que a Ucrânia mais temia

Ataques a usinas e infraestrutura durante inverno rigoroso complicam negociações de paz e aumentam pressão sobre Kiev

Bandeira da Rússia e Ucrânia. Créditos: ShutterStock
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Laura Vieira

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Laura Vieira

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Jornalista recém-formada, com experiência no Tribunal de Justiça, Alerj, jornal O Dia e como redatora em sites sobre pets e gastronomia. Gosta de ler, assistir filmes e séries e já passou boas horas construindo casas no The Sims.

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Com os termômetros marcando até -20°C, a Ucrânia foi alvo de mais uma ofensiva russa na terça-feira (03/2), atingindo em cheio sua infraestrutura de energia, o principal alvo da Rússia. Durante a madrugada, mísseis e drones sobrevoaram diferentes regiões do país, como Kyiv, Kharkiv, Dnipro e Odesa, encerrando a breve “trégua” que havia sido negociada entre eles. Segundo autoridades ucranianas, o ataque contou com 71 mísseis e 450 drones, incluindo cerca de 300 drones Shahed, e provocou danos em prédios residenciais, usinas térmicas e sistemas de aquecimento em meio a uma onda de frio extremo. Para o presidente Volodymyr Zelensky, o ataque foi deliberado, aproveitando-se do inverno rigoroso para pressionar a população e complicar o fornecimento de eletricidade. 

Ataque russo atinge infraestrutura e gera apagões e danos em cidades ucranianas

A ofensiva da Rússia não se limitou a disparos isolados. Segundo a Força Aérea da Ucrânia, parte dos vetores, incluindo mísseis balísticos associados aos sistemas Iskander e S-300, mísseis de cruzeiro e armamentos antinavio como Zircon e Onix, atravessou a defesa antiaérea, atingindo dezenas de alvos estratégicos e urbanos. Em Kyiv, explosões foram ouvidas em sequência, com registros de feridos e danos em residências, além de incêndios e interrupções no fornecimento de energia.

O impacto se espalhou por outras regiões. Em Kharkiv, centenas de prédios perderam aquecimento devido a danos em sistemas críticos. Em Odesa, milhares de moradores ficaram temporariamente sem eletricidade. Empresas de energia, como a DTEK, confirmaram ataques a usinas térmicas, parte de uma série de investidas desde o fim de 2025. Esses ataques evidenciam uma estratégia russa de atingir infraestrutura essencial durante o inverno rigoroso, gerando pressão social e logística em um período crítico para os civis.

Consequências políticas e diplomáticas:  Volodymyr  Zelensky ajusta negociação de paz após ataque estratégico

Além do impacto humano e estrutural, a ofensiva também teve reflexos diretos na diplomacia ucraniana. O presidente do país afirmou que o Exército russo usou a suposta “trégua” para estocar mísseis e atacar durante os dias mais frios do inverno. Após o ataque, Volodymyr voltou a pedir reforço de defesa aérea e afirmou que a equipe de negociação será ajustada antes da próxima rodada, que ocorreu ontem (04/2) em Abu Dhabi, envolvendo representantes da Ucrânia, Rússia e Estados Unidos.

A nova rodada trilateral começou sem grandes avanços. As negociações focaram nas exigências russas de retirada das tropas ucranianas de áreas estratégicas do leste, incluindo Donetsk, e no destino da usina nuclear de Zaporizhzhia, maior da Europa, ocupada por Moscou. Kiev manteve sua posição de rejeitar qualquer retirada unilateral, defendendo que o conflito deve ser congelado ao longo da atual linha de frente.

O resultado reforça a complexidade da guerra híbrida na Ucrânia, combinando combate físico, impacto em civis e influência política ao mesmo tempo, em meio a condições climáticas extremas. Enquanto isso, pesquisas indicam que a maioria dos ucranianos se opõe a acordos que envolvam ceder território à Rússia, aumentando a tensão sobre as negociações futuras.


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