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Ciência comprova: o “novo cigarro” não são os celulares, e sim os ultraprocessados

A má composição de muitos ultraprocessados coloca em xeque nosso sistema cardiovascular

Ultraprocessados / Imagem: Darko Trajkovic
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Victor Bianchin

Redator
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Victor Bianchin é jornalista.

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Há anos a ciência nos alerta que os ultraprocessados são um perigo pelos efeitos que têm sobre o nosso organismo. O que começou como uma suspeita sobre a qualidade nutricional agora se transformou em uma certeza estatística, já que os alimentos ultraprocessados não apenas engordam, como também afetam diretamente o sistema cardiovascular.

Um novo estudo realizado pela Florida Atlantic University (FAU) e publicado há poucos dias no The American Journal of Medicine colocou um dado alarmante sobre a mesa: o consumo elevado desses produtos está associado a um risco 47% maior de doenças cardiovasculares.

E não se trata de um estudo baseado em especulações: os autores analisaram os dados da Pesquisa Nacional de Exame de Saúde e Nutrição referentes ao período de 2021–2023, com uma amostra de 4.787 adultos estadunidenses.

A metodologia é robusta porque não se limitou a observar o que os participantes comem — os pesquisadores ajustaram os resultados levando em conta variáveis como idade, sexo, raça, nível de renda e, de forma crucial, o tabagismo.

Com tudo isso, e eliminando o efeito do cigarro e da condição socioeconômica da equação, o resultado foi que aqueles que consomem maiores quantidades de ultraprocessados têm quase 50% mais chances de desenvolver doenças do coração em comparação com quem consome menos.

Outros estudos dizem o mesmo

Se esse estudo fosse o único, poderíamos ser céticos. O problema é que se trata de mais um entre muitos, já que a pesquisa da FAU vem confirmar uma tendência que já tínhamos visto em macroestudos anteriores, consolidando o que, na ciência, se chama de relação dose-resposta: quanto maior a quantidade de ultraprocessados, maior o dano.

O famoso estudo francês da NutriNet-Santé com mais de 100.000 participantes demonstrou que um aumento de apenas 10% na dieta de ultraprocessados está associado a um aumento de 12% no risco cardiovascular total.

Uma meta-análise publicada em 2024 revisou dados de mais de um milhão de participantes e encontrou uma relação linear em que, para cada porção diária adicional de ultraprocessados, o risco de eventos cardiovasculares aumenta em 2,2%.

E, se ainda quisermos mais evidências, na Austrália um acompanhamento de 25 anos de quase 40.000 pessoas associou o consumo elevado de UPF a um aumento de 19% na mortalidade cardiovascular.

O novo tabaco

O mais chamativo nessa nova pesquisa não são apenas os números, mas a comparação feita com o tabaco e a crise de saúde pública que ele gerou no século 20. Afinal, enquanto as campanhas antitabagismo conseguiram reduzir drasticamente as mortes por câncer de pulmão e doenças cardíacas, a indústria alimentícia encheu as prateleiras de produtos classificados como ultraprocessados.

Por quê? O mecanismo por trás desse risco elevado de 47% parece estar relacionado à inflamação sistêmica e à alteração do metabolismo dos lipídios. É preciso levar em conta que o processamento industrial gera subprodutos contaminantes, como a acrilamida, e utiliza aditivos que elevam o estresse oxidativo do nosso organismo. Basicamente, o corpo perde a capacidade de se “limpar” em nível celular, diminuindo enzimas antioxidantes e permitindo que os radicais livres danifiquem a camada interna dos vasos, o que acelera a formação de placas ateroscleróticas.

Isso se soma a uma composição nutricional com cinco ou mais ingredientes, rica em açúcares adicionados, gorduras saturadas e aditivos, mas pobre em fibras e micronutrientes. Um trio que impacta diretamente a pressão arterial e a resistência à insulina, aumentando a predisposição ao diabetes.

Imagens | Darko Trajkovic

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


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